Economia

Governo Lula diz ser injustificável e equivocada decisão dos EUA em taxar aço e alumínio

Ministro Fernando Haddad diz que mesa de negociação está aberta com o país de Donald Trump

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Vinícius Nunes, Murilo Fagundes
12/03/2025, 18:01 • Atualizado em 13/03/2025, 00:39
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Lula e seus ministros | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Lula e seus ministros | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgaram uma nota conjunta nesta quarta-feira (12) em que lamentam a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar em 25% as importações de aço e alumínio.

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Para o governo Lula (PT), é injustificável e equivocada a decisão do norte-americano em impor "barreiras unilaterais que afetam o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos, principalmente pelo histórico de cooperação e integração econômica entre os dois países".

As pastas dizem que buscarão, em coordenação com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.

"Em reuniões já previstas para as próximas semanas, [o governo Lula] avaliará todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior, com vistas a contrarrestar os efeitos nocivos das medidas norte-americanas, bem como defender os legítimos interesses nacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio", diz a nota.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil não vai retaliar de imediato os EUA após o país dar início à taxação. Haddad afirmou que vai seguir a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ter "calma" neste momento.

Segundo o ministro, o setor dos materiais apresentou propostas que serão analisadas pela Fazenda e incluídas nas mesas de negociações com os EUA. Conforme Haddad, há um erro de diagnóstico de Donald Trump, que creditou a alta de impostos sobre a importação do aço a uma "revenda" feita pelos fabricantes brasileiros. "O que a gente importa de aço não tem nada a ver com o que a gente exporta de aço", disse Haddad.

"A mesa de negociação que está aberta já com o governo americano e que foi bem sucedida em outros momentos do passado recente, quando atitudes semelhantes foram tomadas e revertidas em benefício do comércio bilateral. Nós estamos começando a estudar propostas do setor, que tem toda a legitimidade de trazer propostas para nós", disse o ministro.

Também nesta quarta, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) terá reuniões na sexta com representantes do governo norte-americano. A ideia é buscar um acordo a fim de que os Estados Unidos recuem da decisão.

Leia a íntegra da nota do MRE e do MDIC

"O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 12 de março, de elevar para 25% as tarifas sobre importações de aço e de alumínio dos EUA provenientes de todos os países e de cancelar todos os arranjos vigentes relativos a quotas de importação desses produtos. Tais medidas terão impacto significativo sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA, que, em 2024, foram da ordem de US$ 3,2 bilhões.

Em defesa das empresas e dos trabalhadores brasileiros e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo brasileiro considera injustificável e equivocada a imposição de barreiras unilaterais que afetam o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos, principalmente pelo histórico de cooperação e integração econômica entre os dois países. Segundo os dados do governo estadunidense, os EUA mantêm um superávit comercial de longa data com o Brasil, que foi, em 2024, da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens.

No caso do aço, as indústrias do Brasil e dos Estados Unidos mantêm, há décadas, relação de complementaridade mutuamente benéfica. O Brasil é o terceiro maior importador de carvão siderúrgico dos EUA (US$ 1,2 bilhão) e o maior exportador de aço semi-acabado para aquele país (US$ 2,2 bilhões, 60% do total das importações dos EUA), insumo essencial para a própria indústria siderúrgica norte-americana.

À luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras, o governo do Brasil buscará, em coordenação com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos. Em reuniões já previstas para as próximas semanas, avaliará todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior, com vistas a contrarrestar os efeitos nocivos das medidas norte-americanas, bem como defender os legítimos interesses nacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio."

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