Gargalo do governo em ano de eleições
Máquina pública mais cara, decisões travadas e cada vez menos dinheiro sobrando para investimentos que fazem o país andar.


João Kepler
Em ano de eleições, o governo costuma entrar em modo de espera. Projetos geralmente são adiados, decisões importantes ficam na gaveta e a administração pública começa a operar com freio de mão puxado. O problema é que, enquanto quase tudo trava, os gastos para manter a máquina funcionando, não param de crescer.
São as chamadas despesas de custeio administrativo. É o dinheiro do funcionamento do Estado, usado para pagar água, luz, telefone, aluguel de prédios, passagens, diárias, serviços de limpeza, segurança, tecnologia e toda a estrutura que mantém o governo rodando todos os dias.
Esse alerta veio, com os dados da Secretaria do Tesouro Nacional, informando que em 2025, os gastos do Governo Federal chegaram ao maior patamar dos últimos nove anos, ultrapassando R$ 72 bilhões. Em termos simples: nunca foi tão caro manter o governo funcionando, mesmo sem novas obras, novos programas ou grandes investimentos.
E é aqui que mora o gargalo. O orçamento do governo tem limite para crescer. Quando uma fatia cada vez maior vai para sustentar a estrutura administrativa, sobra cada vez menos para aquilo que realmente muda a vida da população.
Menos recursos para obras de infraestrutura, universidades federais, bolsas de pesquisa, programas sociais, saúde, fiscalização e serviços públicos essenciais.
Ao mesmo tempo, os gastos obrigatórios, como aposentadorias, benefícios sociais e salários, seguem aumentando ano após ano, comprimindo ainda mais o espaço para investimentos.
Em ano eleitoral, esse cenário fica mais lento e mais travado. O governo evita decisões difíceis, novos projetos ficam parados e a economia sente o impacto. Empresas que dependem de contratos públicos esperam. Obras atrasam. Empregos deixam de ser gerados.
Na prática, o país entra em um verdadeiro engarrafamento fiscal e administrativo: custa caro manter a máquina, mas falta espaço para fazer o Brasil avançar.
Para destravar esse gargalo, além de cortar gastos, especialistas defendem mais eficiência na administração pública, com digitalização de serviços, eliminação de estruturas duplicadas, revisão de contratos, metas claras de desempenho e uso mais inteligente do orçamento. Processos mais simples e tecnologia para reduzir burocracia ajudam a gastar menos para funcionar melhor, liberando recursos para investimentos, obras e políticas públicas que realmente geram impacto. O desafio não é ter um Estado menor, mas um Estado que entregue mais com menos.
Se nada for feito, o resultado é claro: mais dinheiro indo para sustentar a estrutura do governo e menos para melhorar serviços, gerar crescimento e resolver problemas reais da população.
Ano de eleição deveria ser momento de planejar o futuro, não de paralisar o presente. Mas quando o custeio cresce e a gestão trava, o que se forma é um gargalo que pesa no bolso do governo e principalmente na vida do brasileiro.
Pense nisso.









