Fazenda descarta crise geral no varejo e afasta socorro
Ministro Dario Durigan atribui parte das dificuldades do setor aos juros altos e diz que oposição explora o tema após crise da Casas Bahia e da Marabraz
Caio Barcellos
Ministro da Fazenda, Dario Durigan | Divulgação/Washington Costa/MF
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou nesta sexta-feira (21) a existência de uma crise generalizada no varejo e afastou a possibilidade de um socorro amplo ao setor diante do aumento de pedidos de recuperação judicial de grandes empresas.
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Ele afirmou que os juros elevados pesam especialmente sobre companhias dependentes de crédito, mas disse que uma eventual atuação do governo deve ocorrer dentro de limites que preservem a concorrência e evitem intervenções indevidas. As afirmações foram feitas durante entrevista à GloboNews.
“Nós não estamos falando de crise, é bem importante a gente colocar isso. Tem uma série de dados da economia brasileira que mostram aí a pujança em vários setores. A gente ouve falar de fechamentos e claro que nos entristece, é parte da vida a gente entender essas transformações e no que o Estado puder ajudar, dentro dos seus limites, sem comprometer concorrência ou fazer intervenção indevida”, afirmou.
A declaração foi dada após Durigan ser questionado sobre a possibilidade de socorro ao varejo diante dos recentes pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz. A Casas Bahia protocolou o pedido no domingo (16), com R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo, enquanto a Marabraz recorreu à recuperação judicial no sábado (15), com passivo de cerca de R$ 140 milhões.
O ministro reconheceu que os juros altos têm impacto relevante sobre o setor, sobretudo porque empresas varejistas dependem de crédito tanto na relação com fornecedores quanto no financiamento das compras feitas pelos consumidores.
“Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade que é muito dependente de crédito. De outra forma, é também a finalidade da própria política monetária contracionista (aumento de juros) que esse efeito seja gerado. Então, há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há”, disse.
Durigan também afirmou que as dificuldades recentes do varejo têm sido usadas, em meio ao período eleitoral, para sustentar uma avaliação de crise mais abrangente da economia, diagnóstico que ele rejeitou.
“Como é momento eleitoral, momento de muita incerteza, há muito debate sobre isso, muitas vezes a oposição quer trazer o tema como uma espécie de crise que está colocada na economia toda sem que a gente possa explicar quais são as razões e quais são os detalhes do setor”, afirmou.
Segundo ele, parte das mudanças dentro do próprio varejo também está relacionada à expansão do comércio online e às alterações nos hábitos de consumo desde a pandemia, que deslocaram uma parcela maior das vendas para a internet.
Fazenda descarta crise geral no varejo e afasta socorroMinistro Dario Durigan atribui parte das dificuldades do setor aos juros altos e diz que oposição explora o tema após crise da Casas Bahia e da MarabrazEconomia2026-08-21T20:19:29.568ZO ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou nesta sexta-feira (21) a existência de uma crise generalizada no varejo e afastou a possibilidade de um socorro amplo ao setor diante do aumento de pedidos de recuperação judicial de grandes empresas. Ele afirmou que os juros elevados pesam especialmente sobre companhias dependentes de crédito, mas disse que uma eventual atuação do governo deve ocorrer dentro de limites que preservem a concorrência e evitem intervenções indevidas. As afirmações foram feitas durante entrevista à GloboNews. “Nós não estamos falando de crise, é bem importante a gente colocar isso. Tem uma série de dados da economia brasileira que mostram aí a pujança em vários setores. A gente ouve falar de fechamentos e claro que nos entristece, é parte da vida a gente entender essas transformações e no que o Estado puder ajudar, dentro dos seus limites, sem comprometer concorrência ou fazer intervenção indevida”, afirmou. A declaração foi dada após Durigan ser questionado sobre a possibilidade de socorro ao varejo diante dos recentes . A Casas Bahia protocolou o pedido no domingo (16), com R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo, enquanto a Marabraz recorreu à recuperação judicial no sábado (15), com passivo de cerca de R$ 140 milhões. Juros e eleições O ministro reconheceu que os juros altos têm impacto relevante sobre o setor, sobretudo porque empresas varejistas dependem de crédito tanto na relação com fornecedores quanto no financiamento das compras feitas pelos consumidores. “Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade que é muito dependente de crédito. De outra forma, é também a finalidade da própria política monetária contracionista (aumento de juros) que esse efeito seja gerado. Então, há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há”, disse. Durigan também afirmou que as dificuldades recentes do varejo têm sido usadas, em meio ao período eleitoral, para sustentar uma avaliação de crise mais abrangente da economia, diagnóstico que ele rejeitou. “Como é momento eleitoral, momento de muita incerteza, há muito debate sobre isso, muitas vezes a oposição quer trazer o tema como uma espécie de crise que está colocada na economia toda sem que a gente possa explicar quais são as razões e quais são os detalhes do setor”, afirmou. Segundo ele, parte das mudanças dentro do próprio varejo também está relacionada à expansão do comércio online e às alterações nos hábitos de consumo desde a pandemia, que deslocaram uma parcela maior das vendas para a internet. + São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/fazenda-descarta-crise-geral-no-varejo-e-afasta-socorro
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