Fávaro diz que Brasil busca na Índia oportunidades para carne de frango
Atualmente, há alíquotas de importação no país asiático de 100% para cortes e de 30% para o frango inteiro, o que inviabiliza a competitividade comercial


Reuters
Uma comitiva brasileira na Índia discutiu nesta sexta-feira (20) a abertura comercial para a exportação de carne de frango do Brasil ao país asiático, pedindo redução tarifária, informaram o Ministério da Agricultura e a associação de empresas do setor ABPA.
O mercado de carne de frango no país mais populoso do mundo tem elevado potencial, mas o maior exportador global não vende quase nada ao país asiático diante de proibitivas taxas de importação.
Em 2025, o Brasil exportou apenas 2,47 toneladas para a Índia, enquanto os Emirados Árabes Unidos, principal destino, compraram 479,9 mil toneladas, segundo dados do governo e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
"Tratamos da ampliação das relações comerciais. O Brasil está pronto para abrir a romã para importar da Índia e também para receber a noz macadâmia... Como contrapartida, buscamos a abertura do feijão-guandu, além de ampliar oportunidades para a carne de frango brasileira e a erva-mate", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em comunicado.
Atualmente, há alíquotas de importação na Índia de 100% para cortes e de 30% para o frango inteiro, o que inviabiliza a competitividade comercial, apesar de acordo sanitário entre os dois países já estar estabelecido, segundo informação da ABPA, que vê a pauta da redução de tarifas como "prioritária".
A ABPA apresentou proposta para a criação de cota específica com tarifa reduzida ou zerada, "como mecanismo inicial de destravamento do fluxo comercial".
Na carne suína, a ABPA afirmou em nota que embora o mercado esteja aberto sanitariamente, a tarifa de 26% também limita a viabilidade das exportações. A entidade também defende a adoção de cotas diferenciadas para o produto ou revisão de taxas vigentes.
A reunião de Fávaro com seu colega indiano Shri Singh Chouhan integrou a agenda da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Délhi. O encontro abriu espaço para "avanços concretos" no comércio bilateral de produtos agropecuários, afirmou o ministério.
Entre outros temas tratados, segundo o governo, estiveram bioinsumos, mecanização, inteligência artificial aplicada ao campo e complementaridade produtiva entre as duas potências agrícolas.
A agenda agrícola ocorre em um momento de intensificação das relações bilaterais entre Brasil e Índia.
Em 2025, o comércio total entre os países alcançou US$ 15 bilhões, crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior, e a meta comum é elevar esse valor para US$ 20 bilhões até 2030, disse a nota do ministério.
(Por Roberto Samora)








