Economia

Economia tem começo promissor em 2026, mas volatilidades preocupam

Guerra no Oriente Médio e cenário eleitoral, no segundo semestre, podem gerar volatilidade

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Brasil registra recorde de empresas inadimplentes; número chega a 7,3 milhões | Foto: Agência Brasil

O primeiro terço de 2026 chega ao fim com um saldo positivo. Embora o ambiente externo preocupe, com a continuidade do conflito entre Irã e Estados Unidos que arrochou o preço do petróleo, o Brasil conseguiu escapar sem graves ferimentos. Mas até quando isso pode durar?

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“O Ibovespa vem batendo recordes sucessivos na esteira da boa performance do S&P, fluxo de estrangeiros e da alta da Petrobras, cujo desempenho tem sido positivamente influenciado pelo aumento nos preços do petróleo. A extensão dependerá, em boa medida, de como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã se desenrolará ao longo do tempo”, opina o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano.

A Bolsa acumula, em 2026, alta de 18,96%, enquanto o dólar recuou 7,50%. O fluxo cambial acumulado no ano corrente, até o dia 17 de abril, tinha atingido R$ 65 bilhões, valor que já ultrapassa 2024 e 2025 somados. O petróleo subiu 66,10% (indo a US$ 95,21), enquanto DI para 2027 foi a 13,44%.

O economista André Perfeito entende que o “mundo está entrando em uma confusão muito grande”, o que pode impactar a inflação até no Brasil. A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, segue a mesma linha, explicando que a piora da percepção de risco sobre os Estados Unidos favorece o Brasil, entre outros países, recebendo investimentos que poderiam ir para a potência norte-americana.

Real turbinado

É consenso entre os analistas que o intenso fluxo estrangeiro favorece a moeda brasileira, assim como o diferencial da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75%.

“Quando a gente olha para o dólar, especificamente, esse recuo da moeda está muito ligado a esse fluxo externo, ou seja, entra mais capital no Brasil, mais divisas estrangeiras no Brasil, e a gente acaba tendo o nosso Real mais valorizado e também uma percepção de menor risco a curto prazo em relação aos fatores geopolíticos. O diferencial de juros está jogando muito a favor do Brasil nesse momento”, contextualiza a economista e sócia da OZ Câmbio, Raíssa Florence.

“A Selic mais alta está influenciando o cenário doméstico, contribuindo para um câmbio forte, desaceleração da atividade e alta do endividamento das famílias”, complementa Serrano.

O enfraquecimento da moeda norte-americana é um movimento global, observa o sócio da Sail Capital, Pedro Persichetti. Hoje há questionamento sobre os Estados Unidos ser um porto seguro, como outrora. Isso reduz a demanda por dólar e aumenta a diversificação dos investimentos.

Bola da vez?

É consenso entre os analistas que o Brasil não chega a ser a bola da vez. Existe uma percepção de melhora do ambiente interno, mas não dá pra dizer que o País vai “bombar”, pondera Quartaroli.

“Esse protagonismo é em grande parte cíclico. Ele depende da manutenção de um cenário externo favorável e da continuidade do fluxo internacional. Além disso, o país ainda enfrenta desafios fiscais e políticos que podem alterar rapidamente a percepção de risco”, opina Persichetti.

Para André Perfeito, a confluência de fatores externos faz com que o Brasil ganhe por “WO”: “Num mundo sem horizonte de previsão, o Brasil segue sendo um porto seguro dado a estabilidade geopolítica da região e o saldo comercial”.

Eleições

O modo eleição, que está prestes a ser ativado, deve mexer com o mercado. Isso se traduz em volatilidade, tanto na Bolsa quanto no câmbio e juros.

“Conforme o processo avança, cresce a incerteza em relação à condução da política econômica, especialmente em temas fiscais e reformas. Nesse ambiente, o mercado reage não apenas aos fatos, mas também às expectativas geradas por pesquisas, discursos e sinalizações dos candidatos. Isso costuma provocar oscilações relevantes em ativos mais sensíveis ao cenário doméstico”, analisa Persichetti.

Boletim Focus

2026

IPCA 4,80%

PIB 1,86%

Dólar R$ 5,30

Selic 13,00%

2027

IPCA 3,99%

PIB 1,80%

Dólar R$ 5,35

Selic 11,00%

Projeções 2026

Itaú

IPCA 4,50%

PIB 1,9%

Dólar R$ 5,40

Selic 13,00%

Warren Rena

IPCA 4,50%

Selic 13%

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