Economia

Diretor do BC nega ter recomendado compra de carteiras fraudadas do Master

Autarquia afirma que Ailton de Aquino levou "à diretoria colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial" de instituições ligadas ao Master

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SBT News, Eduardo Gayer
23/01/2026, 12:44 • Atualizado em 23/01/2026, 12:53
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Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

O Banco Central (BC) negou nesta sexta-feira (23) que o diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino Santos, tenha recomendado compra de carteiras fraudadas do Banco Master, investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Em nota, o BC refutou "notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito" do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicou hoje que a instituição liquidada pelo BC "teve ajuda extra na venda das carteiras de crédito consignado fraudadas para o BRB que levaram à prisão de Daniel Vorcaro e de outros seis executivos". Esse auxílio teria vindo de Aquino Santos.

Gaspar diz que Aquino enviou mensagens ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, "pedindo que adquirisse os créditos para ajudar o Master a resolver seus problemas de liquidez". O BC rejeitou essa informação: "Sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras".

A autarquia disse que área chefiada por Aquino tomou "iniciativa" de comunicar "ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas" e de "de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados".

O BC ainda afirmou que a área de Supervisão da autoridade monetária, "sob orientação do mesmo diretor", também "aplicou medida prudencial preventiva ao BRB". "Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas", reforça.

Em comunicado, o Banco Central explicou que setor de Supervisão "rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira".

"Compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios."

No fim da nota, Ailton de Aquino retirou sigilo de "suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou" com Paulo Henrique Costa e colocou esses dados à disposição do Ministério Público Federal e da PF.

Leia nota completa do BC:

"A propósito de notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB, o Banco Central informa que, sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.

Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas. Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de Supervisão, sob orientação do mesmo Diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados.

Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas.

O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

Compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios.

Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente."

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