Taxa de desemprego do Brasil sobe mais que o esperado no trimestre até fevereiro, mas rendimento bate recorde
Número apresenta crescimento em relação ao trimestre entre setembro e novembro de 2025, quando estava em 5,2%


SBT News
A taxa de desemprego no Brasil subiu a 5,8% nos três meses até fevereiro e ficou acima do esperado, em meio à perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção, mas o rendimento real atingiu novo patamar recorde.
O dado divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou avanço ante a taxa de 5,4% no trimestre até janeiro e na comparação com os 5,2% do trimestre até novembro.

Também ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de uma leitura de 5,7%. No mesmo período do ano passado a taxa de desemprego havia sido de 6,8%.
Apesar do aumento, atribuído pelo IBGE à perda de vagas comum no início do ano a certos setores, a taxa é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012.
Já o rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu novo recorde de R$ 3.679, aumento de 2,0% contra o trimestre imediatamente anterior e de 5,2% ante o mesmo período do ano anterior.
"O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comércio e serviços", disse a coordenadora do IBGE Adriana Beringuy.
O mercado de trabalho deve continuar resiliente ao longo do ano, de acordo com analistas, ainda que a taxa registre algumas altas depois de atingir mínimas históricas e em meio ao arrefecimento da economia.
Esse cenário tende a sustentar a renda e o consumo das famílias, o que dificulta para o Banco Central o controle da inflação.
Neste mês, o BC reduziu a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, e pregou cautela para passos futuros da calibração da taxa ao destacar "forte aumento da incerteza" em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
No trimestre até fevereiro, o número de pessoas desocupadas aumentou 10,6% ante os três meses até novembro, mas recuou 14,8% sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a 6,243 milhões de pessoas.
O período foi marcado ainda por queda de 0,8% no contingente de pessoas ocupadas ante o trimestre imediatamente anterior, chegando a 102,145 milhões, mas alta de 1,5% na comparação anual.
Segundo o IBGE, houve no trimestre forte redução de postos de trabalho no grupo Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (menos 696 mil pessoas), além da Construção (menos 245 mil pessoas).
"Nos dois casos há influência de movimento sazonal, sobretudo nos segmentos de educação e saúde, nos quais parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade", explicou Beringuy.
"A construção também registra menor demanda das famílias por obras e reparos no início do ano", completou.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado registrou queda de 0,3% sobre o trimestre até novembro, enquanto os que não tinham carteira caíram 2,5%.







