Economia

Copom eleva Selic e taxa básica de juros vai a 11,25%

Decisão do Comitê de Política Monetária atende às expectativas do mercado, que projetam Selic encerrando 2024 em 11,75%

G
Gabriel Sponton
Copom eleva Selic e taxa básica de juros vai a 11,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil voltou a elevar a taxa Selic nesta quarta-feira (6), desta vez em 0,5 ponto percentual, chegando em 11,25% ao ano.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O aumento consecutivo da taxa básica de juros básica da economia brasileira, que já era previsto pelo mercado financeiro, é o primeiro desde 2022. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (4), além do aumento de 0,5 ponto percentual, também é projetado que o país encerre 2024 com a taxa Selic em 11,75%.

A elevação nos juros acontece em meio a uma escalada do dólar. Nesta quarta-feira (6), a moeda estrangeira chegou a ser negociada a R$ 5,86, por volta das 9h da manhã. Também nesta quarta, o republicano Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, outro fator de pressão para a moeda, devido às promessas de medidas protecionistas durante a campanha, freando as importações e diminuindo a entrada de divisas no Brasil.

A decisão do Copom também é ancorada em na pressão do mercado de trabalho brasileiro, assim como na última alta, em setembro, segundo o texto que acompanha a decisão do comitê. Confira o texto na íntegra:

O ambiente externo permanece desafiador, em função, principalmente, da conjuntura econômica incerta nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo, também marcado por menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países, segue exigindo cautela por parte de países emergentes.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo. A inflação cheia e as medidas subjacentes se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes.

As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,6% no cenário de referência (Tabela 1).

O Comitê avalia que há uma assimetria altista em seu balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

O Comitê tem acompanhado com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal tem afetado, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco e a taxa de câmbio. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, com a apresentação e execução de medidas estruturais para o orçamento fiscal, contribuirá para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária.

O cenário segue marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, o que demanda uma política monetária mais contracionista. Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 11,25% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo de aperto monetário serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Luizão, ex-jogador da Seleção, é acusado de agredir namorada

Luizão, ex-jogador da Seleção, é acusado de agredir namorada

Imagem da notícia: Evento sobre 5G reúne autoridades e entidades em Brasília

Evento sobre 5G reúne autoridades e entidades em Brasília

Imagem da notícia: Polícia prende suspeito de realizar ataque a tiros na Suíça

Polícia prende suspeito de realizar ataque a tiros na Suíça

Imagem da notícia: Trump promete retaliação contra o Irã após novos ataques

Trump promete retaliação contra o Irã após novos ataques

Imagem da notícia: Luizão, ex-jogador da Seleção, é acusado de agredir namorada

Luizão, ex-jogador da Seleção, é acusado de agredir namorada

Imagem da notícia: Evento sobre 5G reúne autoridades e entidades em Brasília

Evento sobre 5G reúne autoridades e entidades em Brasília

Imagem da notícia: Polícia prende suspeito de realizar ataque a tiros na Suíça

Polícia prende suspeito de realizar ataque a tiros na Suíça

Imagem da notícia: Trump promete retaliação contra o Irã após novos ataques

Trump promete retaliação contra o Irã após novos ataques

Últimas notícias

Durigan defende reforçar regra fiscal e rever gastos sociais

Em evento do setor bancário, ministro da Fazenda defende aprimorar a regra fiscal e admite limitar pelo Orçamento parte das políticas sociais

84% dos brasileiros têm prejuízos por causa da insegurança

Pesquisas divulgadas pela Fiesp mostram, ainda, que empresas também sofrem pela falta de segurança

Jornalista Carlos Monforte morre aos 77 anos

Apresentador passou décadas na rede Globo, trabalhando em telejornais como Jornal da Globo, Bom dia Brasil, Jornal Hoje e na GloboNews

Alckmin defende ajuste após dívida subir a 82,5% do PIB

Vice-presidente diz que ajuste da dívida exige conter gastos sem travar o crescimento; dívida bruta chegou a R$ 10,9 tri, maior nível desde a pandemia

Caiado: segurança máxima inibe atuação do crime em presídios

Candidato do PSD propõe rede com 40 penitenciárias e estima investimento de cerca de R$ 3 bilhões no sistema

Dívida bruta sobe a 82,5% do PIB, maior nível desde 2021

Indicador chegou a R$ 10,9 trilhões em julho e avançou 3,9 pontos percentuais no ano; juros são a principal pressão sobre a dívida