Economia

Carne bovina e café; veja isenções da nova tarifa dos EUA

Taxação de 25% foi anunciada na noite de quarta-feira (15) e entrará em vigor dia 22 de julho

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Camila Stucaluc
16/07/2026, 06:11 • Atualizado em 16/07/2026, 06:11
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Carne bovina não será afetada pela nova tarifa dos Estados Unidos | Reprodução

Carne bovina não será afetada pela nova tarifa dos Estados Unidos | Reprodução

A carne bovina e o café estão entre os mais de 2 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos que ficarão isentos da nova tarifa de 25% imposta por Washington. A taxa, confirmada na noite de quarta-feira (15), passará a valer a partir do dia 22 de julho.

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A nova tarifa foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que acusou o Brasil de promover práticas desleais e prejudiciais ao comércio norte-americano. Ao todo, o órgão citou seis pontos principais na investigação, como desmatamento ilegal, acesso ao comércio de etanol e o Pix.

A avaliação foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974. O trecho permite ao governo norte-americano investigar e retaliar, com sobretaxas e sanções, países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

Apesar da taxação, alguns itens foram isentos da cobrança por serem considerados importantes para a indústria norte-americana, terem pouca oferta doméstica ou serem difíceis de substituir por outros fornecedores, o que poderia prejudicar a cadeia produtiva local. Além de alimentos, compõem a lista medicamentos, aeronaves e minérios.

Veja as isenções:

Agropecuários, alimentos e matérias-primas selecionadas

  • Carne bovina
  • Café, cacau e derivados
  • Especiarias (pimenta, canela, noz-moscada, cravo, gengibre e outras)
  • Mel
  • Alguns peixes e frutos do mar
  • Frutas e produtos agrícolas específicos
  • Borracha natural
  • Couros e peles
  • Madeira e produtos florestais específicos
  • Minérios e metais não ferrosos (níquel, estanho, zinco, tungstênio, magnésio, cobalto, titânio, entre outros)
  • Combustíveis, petróleo, gás natural e derivados petroquímicos
  • Insumos químicos e farmacêuticos

Produtos específicos listados individualmente

  • Açaí
  • Água de coco
  • Etrog (fruta cítrica usada em rituais religiosos)
  • Alguns produtos alimentícios destinados exclusivamente a fins religiosos
  • Ramos e materiais vegetais para uso religioso

Setor aeronáutico

  • Aeronaves (não militares)
  • Motores de aeronaves
  • Peças e componentes aeronáuticos
  • Simuladores de voo e componentes

Setor farmacêutico

  • Produtos para aplicações farmacêuticas
  • Insumos químicos utilizados na fabricação de medicamentos
  • Ingredientes farmacêuticos ativos e intermediários

Produtos já sujeitos a outras tarifas setoriais dos EUA

  • Alumínio e derivados
  • Aço e derivados
  • Cobre e derivados
  • Automóveis de passeio
  • SUVs, crossovers, minivans e vans de carga
  • Caminhonetes leves
  • Veículos médios e pesados
  • Peças automotivas
  • Produtos de madeira
  • Semicondutores

Outros

  • Mercadorias já em trânsito para os EUA antes da entrada em vigor da medida
  • Doações humanitárias (alimentos, roupas e medicamentos)
  • Materiais informativos, como livros, filmes, fotografia e obras de arte

Em relação aos principais produtos sujeitos a nova tarifa de 25% estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, maquinário elétrico, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, manufaturados em geral, produtos químicos diversos e itens industriais processados.

Em comunicado, o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a medida é necessária para enfrentar “práticas comerciais desleais, garantindo que trabalhadores e empresas americanas possam competir em igualdade de condições”.

“Proteger os interesses econômicos americanos contra práticas comerciais desleais é a base das políticas 'America First' do presidente Trump. Extensas negociações com o Brasil no último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a continuar negociando com o Brasil para promover mudanças há muito necessárias nos problemas identificados nesta investigação”, disse Greer.

Reação brasileira

A medida representa uma nova tentativa do governo de Donald Trump de impor tarifas adicionais após a Suprema Corte invalidar, em fevereiro, a base jurídica usada nas sobretaxas anunciadas no ano passado. Apesar das negociações, o governo brasileiro já esperava a imposição da nova tarifa.

Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que iniciará os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica — que autoriza o governo a adotar medidas de retaliação contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros. Além disso, disse que irá acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, disse o governo, em nota.

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