Economia

Brasileiros sacam R$ 378,3 bi da poupança em junho

No acumulado de janeiro a junho, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 39,4 bilhões

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Caio Barcellos
08/07/2026, 14:39 • Atualizado em 08/07/2026, 14:56
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Investidores brasileiros miram aposentadoria | Unsplash

Investidores brasileiros miram aposentadoria | Unsplash

Os brasileiros sacaram R$ 378,3 bilhões da caderneta de poupança em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (8). No mesmo período, os depósitos somaram R$ 378,1 bilhões, o que resultou em saída líquida de R$ 237,5 milhões.

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O resultado reverte a captação positiva registrada em maio, quando os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões. Em junho de 2025, a poupança também havia ficado no azul, com entrada líquida de R$ 2,1 bilhões.

Para Henrique Soares, planejador financeiro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a entrada líquida registrada em maio foi mais um movimento pontual do que uma mudança estrutural no comportamento do investidor.

“Um dos fatores que pode ter contribuído foi o pagamento da primeira parcela do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, um público que, tradicionalmente, possui perfil mais conservador e ainda enxerga a poupança como uma das principais formas de guardar recursos”, afirmou.

Segundo Soares, outros fatores sazonais também podem ter favorecido o aumento dos depósitos naquele mês. Em junho, com o fim desse efeito e os juros ainda elevados, a poupança voltou a registrar mais saques do que aplicações.

Apesar da retirada líquida no mês, o saldo total da poupança subiu para R$ 1,02 trilhão em junho. A alta foi sustentada pelos rendimentos creditados nas contas, que somaram R$ 6,36 bilhões no período.

No acumulado de janeiro a junho, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 39,4 bilhões. É a 5ª maior retirada líquida para o 1º semestre desde 1995. O resultado, porém, é menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando a saída líquida foi de R$ 49,6 bilhões.

Para o planejador financeiro, a retirada de recursos da poupança não significa necessariamente migração para investimentos mais rentáveis. Em parte dos casos, o movimento também reflete a necessidade de usar a reserva para cobrir despesas do dia a dia.

“Os dados mostram que muitas famílias ainda convivem com um orçamento apertado. Em muitos casos, a poupança acaba funcionando menos como investimento e mais como uma reserva utilizada para cobrir despesas, enfrentar imprevistos ou complementar a renda em determinados períodos”, disse Soares.

A maior parte da saída em junho veio da poupança vinculada ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A modalidade registrou retirada líquida de R$ 1,4 bilhão, com R$ 326,7 bilhões em depósitos e R$ 328,1 bilhões em saques.

Já a poupança rural teve entrada líquida de R$ 1,2 bilhão no mês. Os depósitos somaram R$ 51,4 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 50,2 bilhões.

A caderneta de poupança é uma das aplicações financeiras mais tradicionais do país. O rendimento é creditado mensalmente e varia conforme a Selic, a taxa básica de juros.

Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, como ocorre atualmente (14,24% ao ano), a aplicação rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Se a Selic fica igual ou abaixo desse patamar, o rendimento passa a ser de 70% da taxa mais a TR.

Com a Selic em patamar elevado, Soares afirma que a poupança continua perdendo competitividade em relação a outras aplicações de renda fixa, como CDBs, Tesouro Selic, LCIs e LCAs.

“Mesmo um CDB que remunere 100% do CDI, ainda que sujeito à maior alíquota de Imposto de Renda, de 22,5% para aplicações de curto prazo, tende a entregar, na maioria dos cenários, um retorno superior ao da poupança”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o planejador financeiro ressalta que a poupança segue sendo um produto simples, conhecido pelos brasileiros e isento de Imposto de Renda para pessoas físicas.

“No entanto, para a maioria dos objetivos financeiros, especialmente em um cenário de juros elevados, existem alternativas de renda fixa capazes de oferecer maior rentabilidade sem aumento significativo de risco”, disse.

Em junho, a TR usada como referência mensal foi de 0,1709%, o que levou a remuneração da caderneta a cerca de 0,67% no mês. A taxa, porém, também é divulgada diariamente pelo Banco Central e varia conforme o período de aniversário de cada depósito.

Por exemplo, uma pessoa que depositou R$ 1.000 na poupança e deixou o dinheiro aplicado por 30 dias em junho teve rendimento de cerca de R$ 6,72.

Para os próximos meses, Soares diz que ainda é cedo para afirmar que a saída líquida de junho representa uma tendência. Segundo ele, a poupança deve continuar sujeita a oscilações, influenciadas pelo comportamento das famílias e pelo nível dos juros.

“Enquanto a Selic permanecer elevada, é natural que parte dos investidores continue buscando alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno”, afirmou.

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