Os brasileiros sacaram R$ 378,3 bilhões da caderneta de poupança em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (8). No mesmo período, os depósitos somaram R$ 378,1 bilhões, o que resultou em saída líquida de R$ 237,5 milhões.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
O resultado reverte a captação positiva registrada em maio, quando os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões. Em junho de 2025, a poupança também havia ficado no azul, com entrada líquida de R$ 2,1 bilhões.
Para Henrique Soares, planejador financeiro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a entrada líquida registrada em maio foi mais um movimento pontual do que uma mudança estrutural no comportamento do investidor.
“Um dos fatores que pode ter contribuído foi o pagamento da primeira parcela do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, um público que, tradicionalmente, possui perfil mais conservador e ainda enxerga a poupança como uma das principais formas de guardar recursos”, afirmou.
Segundo Soares, outros fatores sazonais também podem ter favorecido o aumento dos depósitos naquele mês. Em junho, com o fim desse efeito e os juros ainda elevados, a poupança voltou a registrar mais saques do que aplicações.
Apesar da retirada líquida no mês, o saldo total da poupança subiu para R$ 1,02 trilhão em junho. A alta foi sustentada pelos rendimentos creditados nas contas, que somaram R$ 6,36 bilhões no período.
No acumulado de janeiro a junho, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 39,4 bilhões. É a 5ª maior retirada líquida para o 1º semestre desde 1995. O resultado, porém, é menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando a saída líquida foi de R$ 49,6 bilhões.
Para o planejador financeiro, a retirada de recursos da poupança não significa necessariamente migração para investimentos mais rentáveis. Em parte dos casos, o movimento também reflete a necessidade de usar a reserva para cobrir despesas do dia a dia.
“Os dados mostram que muitas famílias ainda convivem com um orçamento apertado. Em muitos casos, a poupança acaba funcionando menos como investimento e mais como uma reserva utilizada para cobrir despesas, enfrentar imprevistos ou complementar a renda em determinados períodos”, disse Soares.
A maior parte da saída em junho veio da poupança vinculada ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A modalidade registrou retirada líquida de R$ 1,4 bilhão, com R$ 326,7 bilhões em depósitos e R$ 328,1 bilhões em saques.
Já a poupança rural teve entrada líquida de R$ 1,2 bilhão no mês. Os depósitos somaram R$ 51,4 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 50,2 bilhões.
A caderneta de poupança é uma das aplicações financeiras mais tradicionais do país. O rendimento é creditado mensalmente e varia conforme a Selic, a taxa básica de juros.
Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, como ocorre atualmente (14,24% ao ano), a aplicação rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Se a Selic fica igual ou abaixo desse patamar, o rendimento passa a ser de 70% da taxa mais a TR.
Com a Selic em patamar elevado, Soares afirma que a poupança continua perdendo competitividade em relação a outras aplicações de renda fixa, como CDBs, Tesouro Selic, LCIs e LCAs.
“Mesmo um CDB que remunere 100% do CDI, ainda que sujeito à maior alíquota de Imposto de Renda, de 22,5% para aplicações de curto prazo, tende a entregar, na maioria dos cenários, um retorno superior ao da poupança”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o planejador financeiro ressalta que a poupança segue sendo um produto simples, conhecido pelos brasileiros e isento de Imposto de Renda para pessoas físicas.
“No entanto, para a maioria dos objetivos financeiros, especialmente em um cenário de juros elevados, existem alternativas de renda fixa capazes de oferecer maior rentabilidade sem aumento significativo de risco”, disse.
Em junho, a TR usada como referência mensal foi de 0,1709%, o que levou a remuneração da caderneta a cerca de 0,67% no mês. A taxa, porém, também é divulgada diariamente pelo Banco Central e varia conforme o período de aniversário de cada depósito.
Por exemplo, uma pessoa que depositou R$ 1.000 na poupança e deixou o dinheiro aplicado por 30 dias em junho teve rendimento de cerca de R$ 6,72.
Para os próximos meses, Soares diz que ainda é cedo para afirmar que a saída líquida de junho representa uma tendência. Segundo ele, a poupança deve continuar sujeita a oscilações, influenciadas pelo comportamento das famílias e pelo nível dos juros.
“Enquanto a Selic permanecer elevada, é natural que parte dos investidores continue buscando alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno”, afirmou.
Brasileiros sacam R$ 378,3 bi da poupança em junhoNo acumulado de janeiro a junho, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 39,4 bilhõesEconomia2026-07-08T14:39:17.542ZOs brasileiros sacaram R$ 378,3 bilhões da caderneta de poupança em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (8). No mesmo período, os depósitos somaram R$ 378,1 bilhões, o que resultou em saída líquida de R$ 237,5 milhões. O resultado reverte a captação positiva registrada em maio, quando os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões. Em junho de 2025, a poupança também havia ficado no azul, com entrada líquida de R$ 2,1 bilhões. Para Henrique Soares, planejador financeiro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a entrada líquida registrada em maio foi mais um movimento pontual do que uma mudança estrutural no comportamento do investidor. “Um dos fatores que pode ter contribuído foi o pagamento da primeira parcela do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, um público que, tradicionalmente, possui perfil mais conservador e ainda enxerga a poupança como uma das principais formas de guardar recursos”, afirmou. Segundo Soares, outros fatores sazonais também podem ter favorecido o aumento dos depósitos naquele mês. Em junho, com o fim desse efeito e os juros ainda elevados, a poupança voltou a registrar mais saques do que aplicações. Apesar da retirada líquida no mês, o saldo total da poupança subiu para R$ 1,02 trilhão em junho. A alta foi sustentada pelos rendimentos creditados nas contas, que somaram R$ 6,36 bilhões no período. No acumulado de janeiro a junho, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 39,4 bilhões. É a 5ª maior retirada líquida para o 1º semestre desde 1995. O resultado, porém, é menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando a saída líquida foi de R$ 49,6 bilhões. Para o planejador financeiro, a retirada de recursos da poupança não significa necessariamente migração para investimentos mais rentáveis. Em parte dos casos, o movimento também reflete a necessidade de usar a reserva para cobrir despesas do dia a dia. “Os dados mostram que muitas famílias ainda convivem com um orçamento apertado. Em muitos casos, a poupança acaba funcionando menos como investimento e mais como uma reserva utilizada para cobrir despesas, enfrentar imprevistos ou complementar a renda em determinados períodos”, disse Soares. A maior parte da saída em junho veio da poupança vinculada ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A modalidade registrou retirada líquida de R$ 1,4 bilhão, com R$ 326,7 bilhões em depósitos e R$ 328,1 bilhões em saques. Já a poupança rural teve entrada líquida de R$ 1,2 bilhão no mês. Os depósitos somaram R$ 51,4 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 50,2 bilhões. A caderneta de poupança é uma das aplicações financeiras mais tradicionais do país. O rendimento é creditado mensalmente e varia conforme a Selic, a taxa básica de juros. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, como ocorre atualmente (14,24% ao ano), a aplicação rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Se a Selic fica igual ou abaixo desse patamar, o rendimento passa a ser de 70% da taxa mais a TR. Com a Selic em patamar elevado, Soares afirma que a poupança continua perdendo competitividade em relação a outras aplicações de renda fixa, como CDBs, Tesouro Selic, LCIs e LCAs. “Mesmo um CDB que remunere 100% do CDI, ainda que sujeito à maior alíquota de Imposto de Renda, de 22,5% para aplicações de curto prazo, tende a entregar, na maioria dos cenários, um retorno superior ao da poupança”, afirmou. Ao mesmo tempo, o planejador financeiro ressalta que a poupança segue sendo um produto simples, conhecido pelos brasileiros e isento de Imposto de Renda para pessoas físicas. “No entanto, para a maioria dos objetivos financeiros, especialmente em um cenário de juros elevados, existem alternativas de renda fixa capazes de oferecer maior rentabilidade sem aumento significativo de risco”, disse. Em junho, a TR usada como referência mensal foi de 0,1709%, o que levou a remuneração da caderneta a cerca de 0,67% no mês. A taxa, porém, também é divulgada diariamente pelo Banco Central e varia conforme o período de aniversário de cada depósito. Por exemplo, uma pessoa que depositou R$ 1.000 na poupança e deixou o dinheiro aplicado por 30 dias em junho teve rendimento de cerca de R$ 6,72. Para os próximos meses, Soares diz que ainda é cedo para afirmar que a saída líquida de junho representa uma tendência. Segundo ele, a poupança deve continuar sujeita a oscilações, influenciadas pelo comportamento das famílias e pelo nível dos juros. “Enquanto a Selic permanecer elevada, é natural que parte dos investidores continue buscando alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno”, afirmou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/brasileiros-sacam-r-378-3-bi-da-poupanca-em-junho
Miopia pode atingir 5 bi e aumentar casos de cegueira
Especialista explica por que a relação entre miopia e tecnologia é mais complexa do que parece e quais hábitos ajudam a preservar a saúde ocular das crianças