Brasileiro inscrito em audiência nos EUA defenderá o Pix
Professor da FGV-SP é o único representante do país na sessão que pode influenciar decisão sobre tarifas de 25% contra produtos do Brasil


O professor de Economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Gustavo Pessoa, é o único brasileiro inscrito para participar da audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), marcada para 6 de julho, em Washington. A sessão integra a investigação comercial aberta pelo governo americano e pode influenciar a decisão sobre tarifas adicionais a produtos brasileiros.
Entre os temas analisados pelo USTR estão desmatamento ilegal, pirataria, aplicação de leis anticorrupção e o Pix, que ganhou destaque no processo após os Estados Unidos apontarem supostas vantagens competitivas para o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Nesta quarta-feira (17), em entrevista ao Radar News, Gustavo Pessoa afirmou que pretende apresentar uma visão técnica sobre o funcionamento do Pix e seu papel no sistema financeiro brasileiro.
"Quero mostrar uma visão técnica de como o nosso sistema é muito salutar para todo o sistema financeiro brasileiro e quem quiser operar aqui no Brasil", disse.
A acusação dos EUA é rejeitada pelo governo brasileiro, pelo Banco Central e por entidades do setor financeiro, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que classificou o Pix como um sistema aberto, não discriminatório e acessível a instituições nacionais e estrangeiras.
Na avaliação de Gustavo Pessoa, a tecnologia brasileira deveria ser vista pelos norte-americanos como uma inovação positiva. "Os Estados Unidos teriam que ver com bons olhos essa tecnologia, não com receio de concorrência ou coisa assim", afirmou.
Defesa será baseada em neutralidade e transparência
Durante a audiência pública, Pessoa pretende reforçar que o sucesso do Pix ocorreu por adesão espontânea da população, e não por favorecimento regulatório.
"Temos que mostrar que nós não temos preferência pela utilização do Pix. O Pix realmente foi um sucesso, foi absorvido pela sociedade de uma forma que, até então, não tinha ocorrido. Foi uma coisa natural que aconteceu", declarou.
A audiência pública do dia 6 de julho será uma das últimas etapas antes da decisão prevista pelo governo americano. Empresas, entidades de classe, representantes governamentais e demais interessados poderão apresentar argumentos ao USTR.
O resultado do processo pode influenciar diretamente as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e definir se o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros será implementado.















