BC informa pausa nas altas da Selic, mas não descarta "prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado"
Ata da reunião do Copom que elevou taxa para 15% ao ano afirma que aumento de juros "foi rápido e firme" e que "grande parte dos impactos ainda está por vir"
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Felipe Moraes
24/06/2025, 12:10 • Atualizado em 24/06/2025, 13:14
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Banco Central, em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (24) a atada mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 15% ao ano. No documento, autarquia informou antecipação de pausa no ciclo de aumentos e afirmou que período de altas foi "rápido e firme", explicando que "grande parte dos impactos da taxa mais contracionista ainda está por vir". Mesmo assim, o BC "não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado".
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O Copom deu a seguinte justificativa para aumento da Selic para 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006: "O Comitê optou pela elevação de 0,25 ponto percentual, avaliando que a economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário".
Para o BC, essa decisão "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", completou.
Cenário tem "projeções de inflação elevadas" e "pressões no mercado de trabalho"
Por entender que, como já citado, efeitos desse ciclo de aumentos ainda devem ser sentidos nos próximos meses, o Copom "comunicou que antecipa uma interrupção no ciclo de elevação de juros para avaliar os impactos acumulados ainda a serem observados da política monetária".
Ainda segundo o BC, o Copom "segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros". O grupo avaliou que "cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho".
Por isso, conforme entendimento do Copom, "para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista" por vários meses. O atual ciclo de altas começou em setembro de 2024, quando a taxa passou de 10,5% para 10,75% e, desde então, não parou mais de subir.
Se esse cenário previsto se confirmar, o BC vai avaliar "se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta".
Ou seja, uma futura retomada de altas não é descartada. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado", acrescentou.
O que diz o BC sobre guerras no Oriente Médio e "tarifaço" de Trump
Ata do Copom também reuniu impressões da autoridade monetária sobre possíveis impactos de guerras no Oriente Médio e "tarifaço" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na economia brasileira. O comitê vê cenário externo como "adverso e particularmente incerto".
O BC identificou que "houve alguns desenvolvimentos que permitiriam a conclusão de uma melhora no cenário internacional, como a reversão parcial das tarifas". "Mas permaneceu a visão preponderante de um cenário internacional ainda incerto e volátil", ponderou.
"Em particular, o Comitê segue avaliando que o choque de incerteza pode ser relevante. Tampouco é clara qual será a trajetória fiscal nos Estados Unidos, tanto na magnitude de estímulo quanto na consolidação fiscal final", acrescentou o Copom.
Sobre o que chamou de "conflito geopolítico no Oriente Médio", sem citar trocas de ataques entre Israel e Irã e a recente entrada dos Estados Unidos no conflito, o documento afirmou que "possíveis consequências sobre o mercado de petróleo também adicionam incerteza sobre o cenário externo prospectivo".
Para o Copom, tensão provocada pela guerra "já tem provocado mudanças nas decisões de investimento e consumo". "Ainda é cedo para concluir qual será a magnitude do impacto sobre a economia doméstica, que, por um lado, parece menos afetada pelas recentes tarifas do que outros países, mas, por outro lado, é impactada por um cenário global adverso", explicou.
Nesse sentido, o Copom disse que "focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo". "Um cenário de maior incerteza global e de movimentos cambiais mais abruptos exige maior cautela na condução da política monetária doméstica", afirmou.
Calendário de próximas reuniões e atas do Copom em 2025
29 e 30 de julho: reunião;
5 de agosto: divulgação de ata;
16 e 17 de setembro: reunião;
23 de setembro: ata;
4 e 5 de novembro: reunião;
11 de novembro: ata;
9 e 10 de dezembro: reunião;
16 de dezembro: ata.
BC informa pausa nas altas da Selic, mas não descarta "prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado"Ata da reunião do Copom que elevou taxa para 15% ao ano afirma que aumento de juros "foi rápido e firme" e que "grande parte dos impactos ainda está por vir"Economia2025-06-24T12:10:16.187ZO Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (24) a da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que . No documento, autarquia informou antecipação de pausa no ciclo de aumentos e afirmou que período de altas foi "rápido e firme", explicando que "grande parte dos impactos da taxa mais contracionista ainda está por vir". Mesmo assim, o BC "não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado". O Copom deu a seguinte justificativa para aumento da Selic para 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006: "O Comitê optou pela elevação de 0,25 ponto percentual, avaliando que a economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário". Para o BC, essa decisão "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", completou. Cenário tem "projeções de inflação elevadas" e "pressões no mercado de trabalho" Por entender que, como já citado, efeitos desse ciclo de aumentos ainda devem ser sentidos nos próximos meses, o Copom "comunicou que antecipa uma interrupção no ciclo de elevação de juros para avaliar os impactos acumulados ainda a serem observados da política monetária". Ainda segundo o BC, o Copom "segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros". O grupo avaliou que "cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho". Por isso, conforme entendimento do Copom, "para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista" por vários meses. O atual ciclo de altas começou em setembro de 2024, quando a taxa passou de 10,5% para 10,75% e, desde então, não parou mais de subir. Se esse cenário previsto se confirmar, o BC vai avaliar "se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta". Ou seja, uma futura retomada de altas não é descartada. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado", acrescentou. O que diz o BC sobre guerras no Oriente Médio e "tarifaço" de Trump Ata do Copom também reuniu impressões da autoridade monetária sobre possíveis impactos de guerras no Oriente Médio e "tarifaço" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na economia brasileira. O comitê vê cenário externo como "adverso e particularmente incerto". O BC identificou que "houve alguns desenvolvimentos que permitiriam a conclusão de uma melhora no cenário internacional, como a reversão parcial das tarifas". "Mas permaneceu a visão preponderante de um cenário internacional ainda incerto e volátil", ponderou. "Em particular, o Comitê segue avaliando que o choque de incerteza pode ser relevante. Tampouco é clara qual será a trajetória fiscal nos Estados Unidos, tanto na magnitude de estímulo quanto na consolidação fiscal final", acrescentou o Copom. Sobre o que chamou de "conflito geopolítico no Oriente Médio", sem citar trocas de ataques entre Israel e Irã e a recente entrada dos Estados Unidos no conflito, o documento afirmou que "possíveis consequências sobre o mercado de petróleo também adicionam incerteza sobre o cenário externo prospectivo". Para o Copom, tensão provocada pela guerra "já tem provocado mudanças nas decisões de investimento e consumo". "Ainda é cedo para concluir qual será a magnitude do impacto sobre a economia doméstica, que, por um lado, parece menos afetada pelas recentes tarifas do que outros países, mas, por outro lado, é impactada por um cenário global adverso", explicou. Nesse sentido, o Copom disse que "focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo". "Um cenário de maior incerteza global e de movimentos cambiais mais abruptos exige maior cautela na condução da política monetária doméstica", afirmou. Calendário de próximas reuniões e atas do Copom em 2025 São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/bc-informa-pausa-nas-altas-da-selic-mas-nao-descarta-prosseguir-no-ciclo-de-ajuste-caso-julgue-apropriado
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