Azul despenca 95% em apenas cinco pregões após diluição de ações
Movimento reflete o impacto direto de uma ampla operação de aumento de capital concluída pela companhia, em meio a seu processo de recuperação judicial


Exame.com
As ações da Azul, até esta quinta-feira (8), acumulam uma queda de 95,30% nos cinco pregões seguidos de 2026. O movimento reflete o impacto direto de uma ampla operação de aumento de capital concluída pela companhia nesta semana, no contexto de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
A empresa colocou no mercado mais de 1,4 trilhão de novas ações, entre ordinárias e preferenciais, em uma operação que levantou cerca de R$ 7,4 bilhões. A emissão teve como objetivo principal converter credores em acionistas e reduzir o elevado endividamento da companhia, que ultrapassa os R$ 40 bilhões.
Com isso, o número de ações em circulação aumentou de forma expressiva, provocando uma diluição estimada em até 90% para os acionistas atuais, com possibilidade de impacto ainda maior para os minoritários. E é justamente essa diluição massiva que explica o colapso recente dos papéis. Por volta das 14h40, as ações preferenciais negociadas como AZUL54 caíam 67,45%, a R$ 83.
Segundo Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, a queda é resultado direto da dinâmica de oferta e demanda. A entrada de um volume gigantesco de novas ações no mercado reduz o valor relativo de cada papel existente, pressionando os preços para baixo.
"O mercado costuma reagir mal a essas ofertas, basicamente. Há muita diluição no papel. Os investidores não confiam na recuperação mesmo com essa diluição em vista, o preço da emissão está muito abaixo das expectativas. Então a primeira reação de curto prazo é uma queda muito forte", afirmou Lage.
"É uma reprecificação do risco diante desse processo judicial, uma venda forçada ou tomada de lucro para investidores que não querem fazer a subscrição e uma alta expectativa de perda no valor do papel no curto prazo", acrescentou.
Azul em recuperação judicial
A pressão vendedora ganhou força com o início das negociações dos novos papéis, que passaram a ser agrupados em cestas para viabilizar a negociação na bolsa. As ações preferenciais começaram a ser negociadas sob o código "AZUL54", movimento que reflete a conversão de dívidas em ações prevista no plano de reestruturação aprovado pela Justiça dos Estados Unidos.
Embora a operação represente um avanço relevante no processo iniciado em maio do ano passado, quando a Azul recorreu ao Chapter 11, o impacto sobre as ações segue sendo determinado, sobretudo, pelos efeitos da diluição.
Em dezembro, mesmo após a Justiça americana aprovar o plano de recuperação judicial — com mais de 90% de apoio em todas as classes de credores —, os papéis já haviam reagido negativamente, passando a ser negociados na casa dos centavos. Na avaliação do mercado, o principal fator por trás dessas quedas é o redesenho da estrutura acionária da companhia.









