Receitas somaram R$ 289,3 bilhões no mês e R$ 1,9 trilhão no ano, com impulso da atividade econômica, de mudanças tributárias e do setor de petróleo
Caio Barcellos
Aplicativo da Receita Federal | Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A Receita Federal informou nesta terça-feira (25) que a arrecadação chegou a R$ 289,3 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. O montante representa crescimento real de 8,97% em relação a julho de 2025, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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De janeiro a julho de 2026, a arrecadação federal somou R$ 1,876 trilhão, com crescimento real de 6,98% em relação ao mesmo período de 2025 e também representa o maior resultado para os sete primeiros meses de um ano desde 1997.
O avanço das receitas ocorre em meio ao crescimento da atividade econômica e da massa salarial, mas também reflete mudanças tributárias adotadas pelo governo nos últimos anos e receitas adicionais associadas ao setor de petróleo.
Entre as medidas com impacto sobre a arrecadação estão a reoneração gradual da folha de pagamentos, mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a tributação de apostas esportivas, alterações sobre fundos exclusivos e aplicações no exterior, além do encerramento gradual de benefícios tributários do setor de eventos.
Somente as receitas administradas diretamente pela RF chegaram a R$ 268,9 bilhões em julho, alta real de 7,71% na comparação anual. Outros R$ 20,5 bilhões vieram de receitas administradas por outros órgãos federais, grupo que inclui, entre outros recursos, receitas relacionadas à exploração de petróleo -crescimento real de 28,87% sobre julho de 2025.
Parte do resultado também decorreu de receitas que não estavam presentes na mesma proporção na base de comparação. O governo recolheu R$ 3,16 bilhões em julho com o Imposto de Exportação sobre óleo bruto, instituído pela Medida Provisória (MP 1.340/2026). De janeiro a julho, a tributação sobre essas exportações rendeu cerca de R$ 8 bilhões aos cofres federais.
Ao excluir os principais fatores considerados não recorrentes e os efeitos de mudanças na legislação, a alta das receitas administradas pela Receita seria menor. O crescimento real passaria de 7,71% para 6,44% em julho e de 6,96% para 5,84% no acumulado de janeiro a julho.
Entre os itens retirados desse cálculo estão os R$ 8 bilhões provenientes do imposto sobre as exportações de petróleo e aproximadamente R$ 11 bilhões em pagamentos atípicos de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) registrados ao longo do ano.
Previdência e mercado de trabalho
A arrecadação previdenciária somou R$ 64,2 bilhões em julho, crescimento real de 5,50% sobre o mesmo mês de 2025. Segundo a Receita, o resultado acompanha o aumento da massa salarial, que avançou 5,30% acima da inflação em junho na comparação anual, além do crescimento das receitas do Simples Nacional e da reoneração gradual da folha de pagamentos e da contribuição patronal dos municípios.
No acumulado do ano, a Previdência arrecadou R$ 445,6 bilhões, alta real de 5,14% e maior valor da série para os sete primeiros meses do ano. A massa salarial cresceu 3,55% acima da inflação no período usado como referência pela Receita, enquanto o Simples Nacional previdenciário teve aumento real de 5,66%.
Juros elevam arrecadação sobre aplicações
Outro destaque foi a tributação sobre rendimentos de capital, com o IRRF incidente sobre essas receitas alcançando R$ 13,4 bilhões em julho, alta real de 29,47% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto, no acumulado de janeiro a julho, a arrecadação chegou a R$ 105,7 bilhões, crescimento de 17,87% na comparação anual.
A Receita atribui a expansão principalmente ao desempenho das aplicações financeiras em um ambiente de juros elevados. No acumulado do ano, a arrecadação vinculada a aplicações de renda fixa de pessoas físicas e jurídicas cresceu 30,79% em termos nominais, enquanto os valores provenientes de juros sobre capital próprio avançaram 48,77%. Os fundos de renda fixa registraram crescimento de 12,08%.
O IOF também apresentou forte avanço, com a arrecadação de R$ 8,2 bilhões em julho, alta real de 19,35%, enquanto, nos sete primeiros meses de 2026, o tributo rendeu R$ 58,5 bilhões aos cofres federais, alta de 28,73% sobre o mesmo período de 2025.
No acumulado, a maior diferença veio das operações de câmbio envolvendo saída de moeda estrangeira, cuja arrecadação cresceu 125,5%, para R$ 13,15 bilhões. A Receita relaciona o resultado também às alterações na tributação do IOF adotadas a partir de junho de 2025.
Receita divulgou dados após anunciar adiamento
Na manhã de terça-feira, a RF informou que a apresentação e a entrevista coletiva prevista para explicar os dados seria adiada por “problemas com a sala de reuniões hoje em função de uma demanda externa”. Na ocasião, o órgão afirmou que era provável que a apresentação ocorresse na quinta-feira, ainda dependendo de confirmação.
Apesar do aviso, os números acabaram sendo disponibilizados no site da Receita horas depois, sem uma nova comunicação prévia sobre a antecipação. Após questionamentos de profissionais que acompanham os dados, a assessoria reconheceu que houve um equívoco.
A entrevista coletiva, por sua vez, foi remarcada para a manhã de quarta-feira (26).
Arrecadação cresce 9% e bate recorde em julhoReceitas somaram R$ 289,3 bilhões no mês e R$ 1,9 trilhão no ano, com impulso da atividade econômica, de mudanças tributárias e do setor de petróleoEconomia2026-08-25T18:05:25.905ZA Receita Federal informou nesta terça-feira (25) que a arrecadação chegou a R$ 289,3 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. O montante representa crescimento real de 8,97% em relação a julho de 2025, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De janeiro a julho de 2026, a arrecadação federal somou R$ 1,876 trilhão, com crescimento real de 6,98% em relação ao mesmo período de 2025 e também representa o maior resultado para os sete primeiros meses de um ano desde 1997. O avanço das receitas ocorre em meio ao crescimento da atividade econômica e da massa salarial, mas também reflete mudanças tributárias adotadas pelo governo nos últimos anos e receitas adicionais associadas ao setor de petróleo. Entre as medidas com impacto sobre a arrecadação estão a reoneração gradual da folha de pagamentos, mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a tributação de apostas esportivas, alterações sobre fundos exclusivos e aplicações no exterior, além do encerramento gradual de benefícios tributários do setor de eventos. Somente as receitas administradas diretamente pela RF chegaram a R$ 268,9 bilhões em julho, alta real de 7,71% na comparação anual. Outros R$ 20,5 bilhões vieram de receitas administradas por outros órgãos federais, grupo que inclui, entre outros recursos, receitas relacionadas à exploração de petróleo -crescimento real de 28,87% sobre julho de 2025. Parte do resultado também decorreu de receitas que não estavam presentes na mesma proporção na base de comparação. O governo recolheu R$ 3,16 bilhões em julho com o Imposto de Exportação sobre óleo bruto, instituído pela Medida Provisória (MP 1.340/2026). De janeiro a julho, a tributação sobre essas exportações rendeu cerca de R$ 8 bilhões aos cofres federais. Ao excluir os principais fatores considerados não recorrentes e os efeitos de mudanças na legislação, a alta das receitas administradas pela Receita seria menor. O crescimento real passaria de 7,71% para 6,44% em julho e de 6,96% para 5,84% no acumulado de janeiro a julho. Entre os itens retirados desse cálculo estão os R$ 8 bilhões provenientes do imposto sobre as exportações de petróleo e aproximadamente R$ 11 bilhões em pagamentos atípicos de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) registrados ao longo do ano. Previdência e mercado de trabalho A arrecadação previdenciária somou R$ 64,2 bilhões em julho, crescimento real de 5,50% sobre o mesmo mês de 2025. Segundo a Receita, o resultado acompanha o aumento da massa salarial, que avançou 5,30% acima da inflação em junho na comparação anual, além do crescimento das receitas do Simples Nacional e da reoneração gradual da folha de pagamentos e da contribuição patronal dos municípios. No acumulado do ano, a Previdência arrecadou R$ 445,6 bilhões, alta real de 5,14% e maior valor da série para os sete primeiros meses do ano. A massa salarial cresceu 3,55% acima da inflação no período usado como referência pela Receita, enquanto o Simples Nacional previdenciário teve aumento real de 5,66%. Juros elevam arrecadação sobre aplicações Outro destaque foi a tributação sobre rendimentos de capital, com o IRRF incidente sobre essas receitas alcançando R$ 13,4 bilhões em julho, alta real de 29,47% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto, no acumulado de janeiro a julho, a arrecadação chegou a R$ 105,7 bilhões, crescimento de 17,87% na comparação anual. A Receita atribui a expansão principalmente ao desempenho das aplicações financeiras em um ambiente de juros elevados. No acumulado do ano, a arrecadação vinculada a aplicações de renda fixa de pessoas físicas e jurídicas cresceu 30,79% em termos nominais, enquanto os valores provenientes de juros sobre capital próprio avançaram 48,77%. Os fundos de renda fixa registraram crescimento de 12,08%. O IOF também apresentou forte avanço, com a arrecadação de R$ 8,2 bilhões em julho, alta real de 19,35%, enquanto, nos sete primeiros meses de 2026, o tributo rendeu R$ 58,5 bilhões aos cofres federais, alta de 28,73% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado, a maior diferença veio das operações de câmbio envolvendo saída de moeda estrangeira, cuja arrecadação cresceu 125,5%, para R$ 13,15 bilhões. A Receita relaciona o resultado também às alterações na tributação do IOF adotadas a partir de junho de 2025. Receita divulgou dados após anunciar adiamento Na manhã de terça-feira, a RF informou que a apresentação e a entrevista coletiva prevista para explicar os dados seria adiada por “problemas com a sala de reuniões hoje em função de uma demanda externa”. Na ocasião, o órgão afirmou que era provável que a apresentação ocorresse na quinta-feira, ainda dependendo de confirmação. Apesar do aviso, os números acabaram sendo disponibilizados no site da Receita horas depois, sem uma nova comunicação prévia sobre a antecipação. Após questionamentos de profissionais que acompanham os dados, a assessoria reconheceu que houve um equívoco. A entrevista coletiva, por sua vez, foi remarcada para a manhã de quarta-feira (26).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/arrecadacao-cresce-9-e-bate-recorde-em-julho
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