Economia

Alta agora e queda depois: o que esperar do petróleo com crise na Venezuela

Ação dos EUA sobre Maduro gera incerteza e pode elevar custos logísticos no setor

Imagem da noticia Alta agora e queda depois: o que esperar do petróleo com crise na Venezuela

A operação conduzida pelo governo do presidente Donald Trump na Venezuela, que resultou na captura e prisão de Nicolás Maduro, deve impactar os preços do petróleo no curto prazo, avaliam analistas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Na primeira sessão de 2026, realizada na sexta-feira (2), o barril do petróleo Brent — referência internacional — caiu 0,16% e fechou a US$ 60,75.

“A situação política na Venezuela sem dúvida causa, ao menos no curto prazo, uma pressão altista nos preços do petróleo”, afirma Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

Hoje, a Venezuela lidera o ranking global de reservas provadas de petróleo, com cerca de 303 bilhões de barris — o equivalente a 17% do total mundial.

Apesar disso, o país produz cerca de 700 mil barris por dia e não figura entre os dez maiores produtores do mundo. A Venezuela integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Ardenghy afirma que o cenário atual gera insegurança para o mercado internacional de petróleo.

Insegurança no mercado mundial

"O fato de ser membro fundador da Opep e contar com reservas gigantescas de petróleo, tidas como as maiores do mundo, adicionam a esta situação geopolítica uma situação de insegurança para o mercado mundial do petróleo", diz.

Na mesma linha, Sergio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), afirma que o setor é muito sensível a eventos geopolíticos e marcado pela especulação e, por isso, haverá movimento nos preços no curto prazo.

“Há muita indefinição ainda, mas a expectativa é de um leve aumento nos preços assim que o mercado abrir na Ásia”, diz Araújo.

Ele avalia ainda que esse impacto inicial deve durar até três dias, até que haja maior clareza sobre a situação política na Venezuela.

“A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, mas sua participação na comercialização global é baixa. Representa pouco menos de 1% de todo o petróleo negociado no mundo. Então, não há justificativa para grandes impactos nos preços globais”, afirma.

Impacto no médio prazo depende dos EUA

Durante coletiva no sábado, Trump afirmou que os EUA têm grande interesse no petróleo venezuelano e prometeu reativar a infraestrutura do setor no país, danificada após anos de sanções.

O presidente disse que as empresas americanas voltarão a operar na Venezuela, com investimentos em equipamentos e tecnologia.

Questionado se manteria as exportações de petróleo venezuelano, Trump respondeu que sim, e que o volume será ampliado.

Fontes afirmaram que o governo americano oferece às companhias petrolíferas a recuperação de ativos confiscados em troca de investimentos no setor.

Ardenghy afirma que a volta das petroleiras americanas ao país levará tempo para gerar efeito no mercado.

“Mesmo com aportes pesados, pode demorar anos, considerando o sucateamento da indústria venezuelana”, diz o presidente do IBP.

Atualmente, a Chevron é a única grande companhia americana com operações ativas na Venezuela.

Viés de queda

Dan Kawa, economista e especialista em fundos de investimentos, avaliou em análise publicada em seu perfil no X que o controle do setor de petróleo venezuelano pelos EUA pode resultar em mais oferta estrutural do óleo ao mercado global, o que pode resultar em um viés de queda nos preços no médio prazo.

"Ao reduzir riscos políticos, sanções e interrupções recorrentes, parte do prêmio geopolítico embutido no preço do petróleo tende a ser comprimida, com efeito desinflacionário marginal e maior estabilidade para cadeias energéticas alinhadas à órbita americana", disse.

A avaliação de Araújo, da Abicom, é que esse víes vai depender da atuação dos Estados Unidos na região e a relação com o atual ou possível futuro governo venezuelano pode influenciar.

"Poder ser que ocorra alguma influência, mas é muito cedo para qualquer especulação", afirma.

Combustíveis no Brasil não devem ser afetados, dizem especialistas

Segundo os analistas, o cenário atual não deve gerar impacto imediato nos preços dos combustíveis no Brasil.

Araújo afirma que, mesmo com uma leve alta esperada no Brent, os reflexos devem ser pontuais e restritos a refinarias privadas.

“Como será um impacto de curta duração, não deve haver repasse de preço ao consumidor no Brasil”, afirma.

Ardenghy destaca, porém, que o custo de transporte do petróleo pode sofrer pressões.

“Pode ocorrer aumento no custo de frete e do seguro dos navios que passam próximos à Venezuela, especialmente os que abastecem as refinarias do Texas e da Louisiana”, diz.

Últimas Notícias