Economia

Agronegócio do Mercosul tem vantagem competitiva em acordo com a União Europeia, diz Ipea

Setor pode ser o mais beneficiado pelo acordo, mas enfrenta exigências sanitárias e resistência de produtores europeus

S
SBT Brasil

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o agronegócio do bloco sul-americano deve ser o setor mais beneficiado com um eventual acordo com a União Europeia. Ele vai permitir que os países europeus possam comprar mais produtos brasileiros, principalmente aves, carnes bovina e suína e óleos vegetais, itens em que o Brasil é mais competitivo.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

“A cada vez que surgem mais interessados, mais compradores do produto suíno do nosso estado, ou mesmo no país, é importante”, destaca Ilânio, criador de porcos no Rio Grande do Sul.

O acordo prevê que a União Europeia reduza tarifas e amplie cotas para a entrada de produtos do Mercosul. Em troca, os europeus ganham mais acesso ao mercado brasileiro, sobretudo para bens industrializados, inclusive em compras governamentais.

“Mesmo que não seja uma tarifa zero, na maioria dos casos, ela vai descer a zero, é positivo para o agro-brasileiro. Existem alguns outros produtos que a tarifa não será zerada de maneira integral, a gente chama que são os produtos que foram negociados em cotas. Então a gente está falando, por exemplo, de carne bovina, carne suína, mel, queijos, tem uma cesta de produtos que eles não vão ter a liberalização”, explica Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA.

No caso da carne bovina, por exemplo, serão permitidas 99 mil toneladas por ano, com tarifa reduzida para 7,5%. Para as aves, a cota chega a 180 mil toneladas com tarifa zero.

“Olhando para o agronegócio como um todo, você poderia ter um ganho da ordem de 2% no valor adicionado, gerado pelo agronegócio brasileiro. O que parece pouco quando a gente fala assim, mas que, na verdade, para o perfil desse tipo de atividade, é um ganho significativo”, avalia Fernando Ribeiro, pesquisador do Ipea.

Setor precisa se adaptar

Para aproveitar as oportunidades, os setores sabem que precisam se adaptar. Questões como a rastreabilidade dos produtos, os padrões sanitários e a logística serão decisivas para atender às exigências europeias.

Uma delas proíbe a compra de proteína animal produzida em áreas desmatadas nos últimos cinco anos. Além disso, ainda há uma série de restrições sanitárias. A União Europeia mantém padrões elevados e exige garantias dos sul-americanos sobre segurança alimentar e saúde animal e vegetal.

“A maior dificuldade que a gente tem hoje realmente tem a ver com essas cotas de importação, essas limitações. Em muitos casos são cotas sanitárias: você tem uma cota e uma tarifa, você tem uma limitação de quantidade e ainda paga uma tarifa. Infelizmente, o acordo não vai acabar com isso”, ressalta Fernando Ribeiro.

Na Europa

Na capital da Europa, Bruxelas, o tema também está presente no dia a dia. Produtos europeus, como o azeite, poderão chegar mais baratos ao Mercosul, enquanto carnes sul-americanas chamam atenção pelo preço.

Em um restaurante, uma peça de filé mignon custa 31 euros, o equivalente a pouco mais de 200 reais. Já em um açougue brasileiro em Bruxelas, uma peça de coxão duro produzida na Bélgica custa quase 19 euros o quilo. A carne brasileira, mesmo com impostos, sai mais barata: 16,50 euros.

“O boi deles custa mais caro e, em termos de sabor, a gente ganha também”, explica Francis Souza, açougueiro brasileiro que trabalha no local.

Segundo ele, uma das vantagens do Brasil está no sistema de produção. “No Brasil tem a vantagem dos pastos. A gente lá tem muito pasto, tem muita área verde. Aqui é praticamente só ração. O que encarece o boi. E a mão de obra também é mais cara”, afirma.

Esse cenário ajuda a entender a resistência de produtores europeus, que pressionam por mudanças de última hora no acordo. A carne que vem do Mercosul chega não apenas com qualidade, mas também com preços mais competitivos.

É uma disputa que, segundo especialistas, os europeus dificilmente conseguem ganhar sem um controle rigoroso sobre as regras do jogo.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: PL pede quebra de sigilo de ex-assessor de Lula ao STF

PL pede quebra de sigilo de ex-assessor de Lula ao STF

Imagem da notícia: Zema diz que STF é "incendiário" e atua "criando crises"

Zema diz que STF é "incendiário" e atua "criando crises"

Imagem da notícia: Emendas: Dino aciona PF após TCU indicar fraude de R$ 55 mi

Emendas: Dino aciona PF após TCU indicar fraude de R$ 55 mi

Imagem da notícia: Doação de órgão: escolha envolve processos, diz especialista

Doação de órgão: escolha envolve processos, diz especialista

Imagem da notícia: PL pede quebra de sigilo de ex-assessor de Lula ao STF

PL pede quebra de sigilo de ex-assessor de Lula ao STF

Imagem da notícia: Zema diz que STF é "incendiário" e atua "criando crises"

Zema diz que STF é "incendiário" e atua "criando crises"

Imagem da notícia: Emendas: Dino aciona PF após TCU indicar fraude de R$ 55 mi

Emendas: Dino aciona PF após TCU indicar fraude de R$ 55 mi

Imagem da notícia: Doação de órgão: escolha envolve processos, diz especialista

Doação de órgão: escolha envolve processos, diz especialista

Últimas notícias

Arábia Saudita, Paquistão e Turquia firmam acordo militar

Entendimento prevê defesa conjunta diante das crescentes tensões entre Irã, Israel e países do Golfo

Casos de sarampo em SP sobem para 23 em quatro dias

Estado de São Paulo registra sete novos casos da doença; campanha que reforça a vacinação continua em três municípios

Clima e guerras pressionam preços mundiais dos alimentos

Índice medido pela FAO atinge o nível mais alto em três anos, influenciado pelo El Niño, além dos conflitos na Europa e no Oriente Médio

Ventos fortes suspendem aulas em cidades do litoral de SP

Bertioga, Peruíbe, Cubatão e Itanhaém alteram atividades por prevenção; Defesa Civil alerta para rajadas de até 110 km/h

Falso médico é preso após atender criança com câncer no RJ

Homem é suspeito de usar registro profissional de outro médico em atendimentos domiciliares; polícia investiga se outras pessoas foram vítimas

Saques na poupança são os maiores desde 2022: R$ 7 bi

Resultado representa uma piora em relação a julho de 2025, quando a captação líquida ficou negativa em R$ 6,25 bilhões