Cultura

“Eles teriam tudo para se odiar e não fazem isso”, diz Gianecchini sobre peça ‘Um Dia Muito Especial’

Espetáculo estreia no Rio de Janeiro no dia 27 e adapta clássico italiano para falar sobre empatia em tempos de intolerância

Imagem da noticia “Eles teriam tudo para se odiar e não fazem isso”, diz Gianecchini sobre peça ‘Um Dia Muito Especial’
Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall em "Um Dia Muito Especial" | Priscila Prade/Divulgação

Em um dia marcante em Roma, dois personagens que representam lados opostos de um regime autoritário se encontram e mudam a própria história. Esse é o ponto de partida de "Um Dia Muito Especial", espetáculo estrelado por Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall, que estreia no Teatro Claro Mais RJ, em Copacabana, no dia 27 de fevereiro.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Inspirada em clássico do cinema italiano de 1977, a peça se passa em 6 de maio de 1938, durante a visita de Adolf Hitler à Itália fascista. Enquanto a multidão celebra o encontro e a aliança política nas ruas – sem imaginar o que viria nos anos seguintes –, dois vizinhos permanecem em casa, em um silêncio que desperta o diálogo central da trama.

Ao SBT News, Gianecchini fala sobre o pano de fundo da montagem, o desafio de adaptar o clássico do cinema para o palco e, principalmente, sobre a mensagem de escuta e humanidade que atravessa o tempo. A montagem tem direção de Alexandre Reinecke e tradução de Célia Tolentino. Confira a entrevista:

Como você apresentaria a peça para quem não sabe nada sobre a história?

Essa peça é em cima de um filme italiano, de 1977, feito pelo Marcello Mastroianni e a Sophia Loren. Um filme que fez muito sucesso lá atrás e até hoje reverbera muito. Se passa num dia que aconteceu de verdade. A história é fictícia, mas esse dia é real, é um dia onde, na Itália fascista, eles recebem o Hitler com todas as honras e todo mundo vai para a rua, menos esses dois personagens.

Ele é antifascista, perseguido pelo fascismo porque é um homem gay, acabou de ser demitido. E ela é uma mulher fascista, criada nesse sistema, mas que não vai porque tem muitos afazeres. A mulher no fascismo era muito apagada, não tinha existência, vivia para cuidar dos seis filhos. Esses dois personagens acabam se encontrando e vivem nesse dia um encontro que transforma a vida deles.

A peça é mais um retrato histórico ou existe uma mensagem para o presente?

Eu acho que é mais que um retrato de um tempo. A gente precisa continuar falando sobre isso, com certeza, mas mais que tudo, para mim, a peça não é exatamente sobre isso. Ela está situada nesse sistema, mas é um pano de fundo. A história é sobre a humanidade. Eles teriam tudo para se odiar de cara, de se estranhar. E eles não fazem isso. Eles param para se ouvir. E se permitem serem transformados a partir desse não julgamento.O que mais te toca nessa história?

É ouvir, sem julgar tanto, e só estabelecer o diálogo. Isso que é bonito. Quando a gente não se permite ouvir o outro, a gente fica muito congelado numa ideia. A gente nunca tem uma verdade absoluta. A gente tem a nossa opinião, a nossa crença, mas a verdade tem sempre vários olhares sobre ela. É olhar para o outro como um ser humano, não como uma ameaça. Mesmo que você não concorde, você pode trocar afeto. Eles encontram o território do não julgamento.

Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall em "Um Dia Muito Especial" | Priscila Prade/Divulgação
Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall em "Um Dia Muito Especial" | Priscila Prade/Divulgação

Como foi o desafio de levar para o palco uma história tão marcada pelo cinema?

No cinema, você conta no olhar. Você vê as transformações acontecendo nos olhares. No palco, você não conta com o olhar, porque ninguém enxerga o seu olhar. Você conta a história com o corpo inteiro, com a voz. Tudo é muito mais expressivo. É um desafio trazer aquilo que era bem pequenininho no cinema e ampliar num palco.

E o que o público pode esperar da montagem?

Eu gosto muito do teatro que faz pensar, mas gosto muito que seja leve também. Não que seja imposto à força. A gente vai sentindo a humanidade dos personagens de uma forma leve, tem música, eles vão meio que se apaixonando e vivem um amor platônico. Por isso que a gente acha que vale a pena trazer essa discussão para o dia de hoje. Acho que muita gente sai de lá com esse olhar: que bonito que é olhar para o ser humano.

Um Dia Muito Especial - Rio de Janeiro

Direção: Alexandre Reinecke

Elenco: Reynaldo Gianecchini, Maria Casadevall e Carolina Stofella

Temporada: 27 de fevereiro a 29 de março de 2026

  • 27/2 a 8/3: sextas, às 20h; sábados e domingos, às 17h
  • 13/3 a 29/3: sextas, às 20h; sábados, às 20h30; domingos, às 19h30

Local: Teatro Claro Mais RJ – Shopping Cidade Copacabana Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana – Rio de Janeiro

Ingressos: de R$ 60 a R$ 200

Duração: 75 minutos

Classificação: 12 anos

Assuntos relacionados

teatro
Rio de Janeiro
Cultura

Últimas Notícias