"Perdoar seria matar o Miguel novamente" diz mãe do menino em resposta à ex-patroa
Na mensagem, a doméstica pede Justiça pela morte da criança, que caiu do 9º andar de um prédio no Recife. Sari Corte Real foi indiciada por homicídio culposo
"Perdoar seria matar o Miguel novamente" diz mãe do menino em resposta à ex-patroa
Na mensagem, escrita com a ajuda do advogado Rodrigo Almendra, a doméstica Mirtes Renata Santana de Souza reage ao pedido de desculpas enviado por Sari, por meio de uma carta à imprensa, e questiona a verdadeira intenção do texto.
"Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública, com a qual ela se preocupa, por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição", afirma Mirtes, referindo-se ao marido da ex-patroa.
A mãe de Miguel também aponta um descaso por parte de Sari na mensagem, argumentando que, se a então empregadora realmente se importasse com o menino, a tragédia não teria acontecido.
"Após poucos dias, é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser `filho da empregada`", expõe a doméstica.
Ainda na carta, Mirtes fala sobre sentimento da perda e descreve como está a vida sem o filho. "Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo `mamãe` quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias", ela desabafa.
Por fim, novamente em resposta ao pedido de perdão contido no texto Sari Corte Real, a mãe de Miguel pede justiça pela morte da criança. "Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente", conclui.
Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.
Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo `mamãe` quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.
Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!
Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser `filho da empregada`.
Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente.
Mirtes, mãe de Miguel
(carta escrita com auxílio do advogado constituído)