Jornalismo

Policiais são suspeitos em esquema ilegal de venda de relógios de luxo

Operação do Ministério Público de São Paulo cumpriu mandado de busca e apreensão em delegacia

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SBT News
03/06/2022, 22:03 • Atualizado em 31/10/2023, 02:14
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Um delegado e dois policiais civis são suspeitos de fazer parte de um esquema envolvendo o comércio de relógios de luxos roubados. Uma operação do Ministério Público de São Paulo cumpriu oito mandados de busca e apreensão nesta 6ª feira (3.jun), inclusive em uma delegacia em Osasco, na Região Metropolitana.

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Maços de dinheiro foram encontrados em uma gaveta da delegacia, bem perto de uma Bíblia. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou a operação. Segundo o Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público, policiais civis de Osasco são suspeitos de receber propina dos donos da relojoaria Royale, que fica no luxuoso shopping Cidade Jardim, na zona sul da capital paulista.

Tudo começou quando o promotor de Justiça Filipe Viana de Santa Rosa teve o relógio, que vale R$ 100 mil, roubado em Osasco, em dezembro do ano passado. Foi o próprio promotor que encontrou o relógio à venda na joalheria do shopping de luxo. Ele chamou a polícia civil e o crime passou a ser investigado, só que a delegacia virou um grande balcão de negócios.

A partir da quebra dos sigilos telefônicos, os promotores encontraram mensagens que provam o acerto. O delegado Jorge Batista Godoy e os policiais Vivaldo Machado de Brito e Paulo Leite Araujo Suiama teriam cobrado R$ 170 mil pra não prender um dos donos da loja e pra que não fossem apreendidos todos os relógios. Dois advogados teriam intermediado a corrupção, segundo promotores: Bruno Maximiano e João Vitor Abreu.

Em uma das mensagens, Gustavo Queiroz, um dos donos da loja, disse ter pago R$ 170 mil, sendo R$ 150 mil em dinheiro, para o delegado e toda a equipe.

Segundo o Ministério Público, por pressão do promotor vítima do roubo, Gustavo foi indiciado por receptação dolosa, em que a pessoa tem consciência da origem duvidosa da mercadoria. Ele passou uma noite na cadeia e foi solto. O sócio, Marcello Mora, nem isso, foi acusado de receptação culposa, ou seja, o crime foi cometido apenas por falta de cuidado.

Em outra mensagem, Gustavo contou que, quando já estava na delegacia, avisou o advogado: "fala pra galera limpar o cofre e deixar só o que está na vitrine". Em seguida, ele disse: "cheguei lá, a loja parecia um deserto".

Na operação desta 6ª, segundo o Ministério Público, foi apreendido um total de R$ 290 mil em dinheiro nas casas dos investigados, R$ 160 mil na casa do delegado, além de 60 relógios e joias.

A Polícia Civil disse que não compactua com desvios de conduta ou indícios de crimes cometidos por seus agentes. A loja Royale Watches afirma que não praticou qualquer ato ilícito na venda de relógios. Já o shopping Cidade Jardim informou que o contrato com a loja foi encerrado em fevereiro de deste ano.

Tentamos contato com as defesas dos advogados Bruno Maximiano e João Vitor Abreu, mas não tivemos retorno. Não conseguimos localizar os advogados do delegado e dos policiais civis suspeitos de envolvimento no esquema.

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