Trilhas em São Paulo: beleza, aventura e os riscos que exigem atenção redobrada
Passeio pelo Parque do Jaraguá mostra que planejamento e cuidados básicos podem ser a diferença entre um dia inesquecível e uma situação de perigo
Juliana Tourinho
Mochila nas costas, calçado fechado e disposição para caminhar. É assim que começa a aventura de quem decide explorar as trilhas do Parque do Jaraguá, uma verdadeira ilha verde no meio da cidade de São Paulo. A paisagem exuberante atrai trilheiros, turistas e pessoas em busca de contato com a natureza — inclusive para celebrar datas especiais.
É o caso de David Vieira, gerente de uma casa de idosos, que escolheu o parque para comemorar o aniversário. Trilheiro experiente, desta vez ele decidiu apenas fazer uma caminhada leve, aproveitando o silêncio da mata e a tranquilidade do ambiente.
Mas nem toda trilha é igual. No caminho pelas trilhas do Silêncio e da Bica, com trechos de pedras e declives, o guia Alex explica que regras simples fazem toda a diferença para a segurança.
“Ninguém deve ir sozinho. Não se deixa ninguém para trás. Saímos juntos e voltamos juntos. É preciso levar água, comida, lanterna e até uma lâmina. Existem trilhas técnicas e trilhas para iniciantes. Saber escolher é o que define o sucesso do passeio”, alerta.
Diego Araújo, engenheiro, e Ana Pedroso, estudante, estão começando agora nesse universo. Eles optaram por uma trilha leve, adequada para quem ainda não tem muita experiência. A escolha certa permite aproveitar a caminhada sem colocar a segurança em risco.
O Parque do Jaraguá impressiona pela riqueza natural. Ao longo do trajeto, é possível encontrar vegetação nativa, árvores centenárias, nascentes, cachoeiras e até macacos-prego que se aproximam dos visitantes. Mas toda essa beleza exige respeito e preparação.
Para o especialista Erick David, conhecer a trilha antes de iniciar o percurso é fundamental. Informações sobre distância, nível de dificuldade, tempo médio e pontos de apoio ajudam a evitar situações perigosas.
O destino final da trilha do Pai Zé é o Pico do Jaraguá, o ponto mais alto da cidade de São Paulo. São quase dois quilômetros de caminhada em solo pedregoso até chegar ao topo. A vista é recompensadora, mas o maior perigo vem depois: a descida.
A instrutora de ecoturismo Cláudia Veridiana alerta que é justamente no retorno que ocorrem muitos acidentes.
“Na volta, as pessoas estão cansadas e podem ficar desorientadas. O risco de torcer o pé aumenta. Até a cor da roupa é importante, porque facilita o resgate em caso de emergência”, explica.
E o alerta não é exagero. Em Minas Gerais, um grupo de amigos ficou ilhado durante uma trilha na Serra do Cipó, em Jaboticatubas. Com a chuva, o nível do rio subiu e o caminho de volta desapareceu. O resgate precisou ser feito pelo Corpo de Bombeiros.
O episódio reforça que trilha não é apenas lazer: é atividade de risco quando feita sem planejamento. Escolher o percurso certo, usar equipamentos adequados, não ir sozinho e respeitar os limites do corpo são atitudes simples que podem salvar vidas — e garantir que a aventura termine do jeito que deve: com boas histórias para contar, e não pedidos de socorro.









