Brasil

Super El Niño: fenômeno deve impactar agro no Brasil

Pesquisador aponta que fenômeno chega a regiões do país a partir do 2º semestre, com eventos climáticos extremos e potencial impacto no calendário agrícola

Avatar de Marcela Guimarães
Marcela Guimarães
17/06/2026, 12:04 • Atualizado em 17/06/2026, 14:33
compartilhar

Radares de agências meteorológicas da Europa e dos Estados Unidos já identificaram a formação do que vem sendo chamado do ‘Super El Niño’ sobre o Oceano Pacífico, se expandindo com velocidade e potencial para provocar tempestades e secas extremas em várias regiões do planeta, afetando também regiões do Brasil.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

De acordo com as previsões atuais e alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), o fenômeno tem alta probabilidade - superior a 80% - de se configurar ao longo do segundo semestre de 2026, podendo se estender até, pelo menos, o início de 2027.

O que é o ‘Super El Ninõ?’

O El Niño é definido como aumento da temperatura em algumas regiões do Oceano Pacífico. O fenômeno que se forma este ano, no entanto, apresenta um padrão espacial mais intenso, segundo o pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério de Ciência e Tecnologia). “Como mostram os sensores de temperatura, ele é mais intenso e cobre uma área maior do que costuma ocorrer”, explica.

E apesar da temperatura subir no Oceano, ela impacta também o clima no continente, explica Luis Marcelo Zeri. Com o Oceano mais quente, na comparação com eventos passados, “espera-se um fenômeno mais forte”.

A influência entre a temperatura do Oceano e o clima no Brasil é um fenômeno chamado “teleconexão”.

"É uma conexão à distância que acontece na atmosfera, onde muitas vezes a evaporação da água de uma região, ou aquele calor que sai da superfície numa região, sobe na atmosfera, é transportado pelos ventos, pelas circulações, e acaba descendo numa região muito distante. Essas teleconexões conectam regiões distantes no mundo, levando chuva, ar mais seco. E são as conexões que acabam formando as faixas de deserto no planeta ou as faixas onde tem mais nebulosidade. É um fenômeno natural. O El Nino é resultado dessa teleconexão entre o Oceano Pacífico e algumas regiões do Norte do Brasil, e também do Sul", explica o pesquisador.

As regiões Norte e Nordeste do país costumam ser atingidas pelo El Niño com seca e escassez de chuva, enquanto a região Sul enfrenta excesso de precipitações e potencial de tempestades e enchentes. Mas os efeitos não são os mesmos todas as vezes, e nem no mesmo período. Normalmente, o fenômeno começa perto de novembro e dezembro e pode se estender para o semestre seguinte. Mas este ano, o El Ninõ e suas consequência estão aparecendo mais cedo, com potencial para se estender até o início de 2027, pontua Zeri.

"De um evento para outro, estas consequências mudam. Um El Ninõ nunca começa e evolui da mesma forma. Em alguns momentos se tem um dezembro mais seco, ou janeiro mais seco. Pode atingir o Norte e até o topo da região Amazônica e, às vezes, pega um pouco do Centro-Oeste. No geral, a gente espera mais seca no Norte e mais chuva na região Sul", complementa.

Impacto na produção agrícola

Ainda de acordo com o pesquisador do Cemaden, a seca provocada pelo El Niño pode interferir negativamente na produção agrícola no Brasil, dependendo da região e do calendário agrícola.

"Se um evento de seca ocorre numa época de plantio, numa época mais sensível do cultivo, isso acaba impactando a safra, atrapalha todo o planejamento agrícola", avalia.

Outra grande preocupação em relação aos impactos climáticos do Super El Niño é o excesso de chuva. E o Sul do país - que ainda se recupera das enchentes de 2024, que devastaram várias áreas do estado do Rio Grande do Sul - é uma das regiões vulneráveis.

"A gente não pode esquecer que o El Niño também causa excesso de chuva na região Sul do Brasil, que é um outro impacto em potencial, que às vezes acaba alagando os campos agrícolas, prejudica a colheita, plantio e todo o planejamento de safra", complementa o especialista.

Em relação aos impactos da seca, os municípios podem das regiões possivelmente afetadas, podem se preparar para impactos da seca buscando recursos hídricos e economia de água. "Os municípios que dependem de açudes, de reservatórios de água, precisam ficar atentos para o consumo para os meses mais críticos", alerta Zeri.

O pesquisador do Cemaden também chama atenção para o risco de incêndios florestais. O tempo mais quente e mais seco acaba favorecendo a propagação de fogo. "É preciso estar preparado para reagir a esses eventos que podem acontecer. Os municípios podem já acionar as defesas civis para planos municipais, planos de emergência, em relação a fogo", explica.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: TSE publica acórdão que tornou Cláudio Castro inelegível

TSE publica acórdão que tornou Cláudio Castro inelegível

Imagem da notícia: MP do Frete: Câmara pode votar relatório nesta quarta (17)

MP do Frete: Câmara pode votar relatório nesta quarta (17)

Imagem da notícia: Prefeitura de Limeira (SP) interdita ponte onde jovem morreu

Prefeitura de Limeira (SP) interdita ponte onde jovem morreu

Imagem da notícia: Eduardo Bolsonaro admite buscar nova Magnitsky contra Moraes

Eduardo Bolsonaro admite buscar nova Magnitsky contra Moraes

Imagem da notícia: TSE publica acórdão que tornou Cláudio Castro inelegível

TSE publica acórdão que tornou Cláudio Castro inelegível

Imagem da notícia: MP do Frete: Câmara pode votar relatório nesta quarta (17)

MP do Frete: Câmara pode votar relatório nesta quarta (17)

Imagem da notícia: Prefeitura de Limeira (SP) interdita ponte onde jovem morreu

Prefeitura de Limeira (SP) interdita ponte onde jovem morreu

Imagem da notícia: Eduardo Bolsonaro admite buscar nova Magnitsky contra Moraes

Eduardo Bolsonaro admite buscar nova Magnitsky contra Moraes

Últimas notícias

Resenha: The Adventures of Elliot já nasce clássico

RPG de ação da Square Enix aposta em viagem no tempo, visual nostálgico e fantasia

Trump diz que acordo com Irã 'não é final' e ameaça ataques

Presidente norte-americano afirmou que pode retomar guerra caso não fique satisfeito com entendimento entre os países

Rope jump: quais são as regras de segurança da atividade?

Gerente de associação de turismo de aventura explica normas da ABNT e cobra fiscalização após morte de jovem durante salto em Limeira (SP)

Manutenção da Cedae pode reduzir abastecimento de água no RJ

Serviço no Sistema Ribeirão das Lajes pode afetar o fornecimento em bairros da capital, Japeri e Queimados; veja as áreas afetadas

Influenciadores na Copa correm risco por uso errado de visto

Ao SBT News, a advogada Débora Cunha Romanov afirma que monetização pode violar regras dos EUA, que exige vsito de trabalho para monetização de conteúdo

Primeira metade de junho tem recordes de chuva pelo Brasil

Brasília registra o junho mais chuvoso desde o início das medições, Goiânia tem o segundo maior acumulado em 65 anos e parte do Rio já superou a média do mês