Só 4% da área agrícola do Brasil tem seguro, diz especialista
Especialista do Insper afirma que baixa cobertura do seguro rural agrava a crise no campo

A cobertura do seguro rural no Brasil caiu para cerca de 4% da área agrícola, um patamar considerado preocupante para um dos maiores produtores de alimentos. O alerta foi feito por Renato Buranello, diretor de agronegócio do Insper, durante entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, sobre a crise enfrentada pelo setor e a necessidade de renegociação das dívidas dos produtores rurais.
A discussão ganhou força após a aprovação, pelo Senado, de um projeto que permite a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e dificuldades financeiras. A proposta prevê juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, de acordo com o porte do produtor rural, e tem impacto fiscal estimado entre R$ 120 bilhões e R$ 140 bilhões nos próximos 10 anos, mas enfrenta críticas do governo pelo potencial impacto nas contas públicas.
Segundo o especialista, a situação atual do agronegócio é resultado de uma combinação de fatores econômicos, climáticos e geopolíticos. "O que a gente tem acompanhado, especialmente nesse momento, é uma tempestade perfeita", afirmou.
Buranello explicou que o setor enfrenta simultaneamente juros elevados, aumento dos custos de produção, oscilações nos preços das commodities e impactos das mudanças climáticas. Além disso, destacou que o país possui uma cobertura insuficiente de seguro rural para enfrentar perdas provocadas por eventos extremos.
"Hoje a safra atual tá em torno de 4% de área coberta. Vocês imaginem um grande produtor agrícola mundial ter 4% de área coberta. É muito pouco", disse. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) mostram que, no Brasil, a área segurada ficou em 3,3% da extensão plantada na última safra de grãos, de 2024/25.
De acordo com o diretor, a baixa proteção torna os produtores mais vulneráveis a quebras de safra e prejuízos financeiros. Ele lembrou que o percentual já foi superior no passado. "Já tivemos 15% de área coberta, pouco mais do que isso", afirmou.
Na avaliação dele, o modelo de apoio ao setor precisa ser revisto para priorizar mecanismos de proteção contra riscos. "Talvez os subsídios para o futuro pudessem ser dados mais ao seguro e menos ao crédito", defendeu.
Buranello também criticou os cortes recentes nos recursos destinados ao seguro rural. "É fundamental ter área coberta. Nós estamos falando de mudanças climáticas", ressaltou.
Para ele, a ampliação da cobertura securitária pode ajudar a evitar novas crises de endividamento no campo. Ele citou a tramitação de um projeto de lei que altera o programa de seguro rural e afirmou esperar que a proposta avance para criar uma estrutura mais robusta de proteção aos produtores.















