Reservatório da Vale transborda em MG sete anos após desastre em Brumadinho
Extravasamento ocorreu em Ouro Preto, interrompeu operações e aconteceu no aniversário de sete anos do desastre de Brumadinho


Água com sedimentos alcançou cerca de 1,5 metro de altura | Estado de Minas / Reprodução
Um reservatório da mineradora Vale transbordou na madrugada deste domingo (25) no distrito de Pires, na divisa entre Ouro Preto e Congonhas, na região central de Minas Gerais, e provocou uma inundação de lama que atingiu instalações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Segundo informações iniciais, a água com sedimentos alcançou cerca de 1,5 metro de altura, invadiu o escritório, três oficinas e o almoxarifado da CSN, interrompeu a captação de água e levou à paralisação das operações na área atingida.
O incidente ocorreu no mesmo dia em que se completam sete anos do rompimento da barragem em Brumadinho, um dos maiores desastres ambientais do país.
As prefeituras de Congonhas e Ouro Preto enviaram equipes ao local após informações sobre um possível rompimento do reservatório administrado pela Vale.
A Defesa Civil de Congonhas informou que a notícia circulou inicialmente em grupos de mensagens e que, até o momento, o órgão não havia sido acionado oficialmente. Mesmo assim, equipes foram deslocadas de forma preventiva.
O secretário de Defesa Civil de Ouro Preto, Moisés Santos, afirmou que o órgão recebeu relatos sobre um possível colapso da estrutura, mas que não houve comunicação formal da Vale até então. Ainda assim, equipes também foram enviadas à região para averiguação.
Em nota, a Prefeitura de Ouro Preto informou que a ocorrência aconteceu em uma área rural, distante da sede do município e de outros distritos, e que agentes da Defesa Civil e da Secretaria de Segurança se deslocaram para uma inspeção no local.
O que dizem Vale e CSN
A Vale afirmou que houve um extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto. Segundo a empresa, o fluxo atingiu áreas de uma empresa vizinha, sem afetar pessoas ou comunidades.
A mineradora também destacou que o episódio não tem relação com barragens da companhia na região, que permanecem estáveis e monitoradas 24 horas por dia. As causas do extravasamento estão sendo apuradas, e os órgãos competentes já foram comunicados.
Já a CSN Mineração informou que a ocorrência provocou o alagamento de áreas da unidade Pires, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e áreas de embarque.
A empresa ressaltou que todas as estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente e que acompanha a situação desde o primeiro momento, com autoridades já notificadas.
Desastre em Brumadinho
A tragédia, que aconteceu em 25 de janeiro de 2019, deixou 272 mortos, entre eles duas mulheres grávidas, e causou a destruição de instalações da mineradora Vale S.A., comunidades locais e o Rio Paraopeba, após o despejo de cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Das vítimas, 250 eram trabalhadoras da companhia.













