Brasil

Reclamações contra oficinas mecânicas mais que dobram em São Paulo, aponta Procon

Descumprimento de prazos e serviços incompletos lideram queixas de consumidores no estado que mais cresceram, segundo levantamento do Procon paulista

Um levantamento do Procon de São Paulo mostra que as oficinas mecânicas estão no alvo dos consumidores. Em um ano, as reclamações como desrespeito ao prazo de entrega mais que dobraram.

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Sebastiana da Silva, que é motorista de aplicativo, fica tensa só de pensar em oficina. O trauma ficou de quando o carro dela, modelo 2019, apresentou um problema. "O carro nao estava desenvolvendo, na subida, ele ficava travado, não desenvolvia velocidade", contou Sebastiana da Silva.

O mecânico deu a sentença: teria que mexer no câmbio do carro, e deu um orçamento que poderia variar de 10 mil até 16 mil reais. "E eu fiquei super triste porque ele já foi falando com certeza que era isso", relatou.

Sebastiana fez o certo e procurou uma segunda opinião, que foi bem diferente da primeira. A dúvida é se houve má-fé do primeiro mecânico ou desconhecimento. É a pergunta que muitos consumidores têm se feito, porque o que não falta é queixa contra oficina mecânica.

O Procon de São Paulo recebeu, ao longo do ano passado, 1.224 reclamações, 52% a mais que em 2024, quando foram registradas 801. São diferentes motivos, e todos aumentaram: má qualidade do serviço (+43%), demora na montagem (+50,4%), ofertas não cumpridas e serviços não fornecidos (+78,6%).

O campeão de denúncias é o descumprimento de prazo e a entrega do veículo com o serviço incompleto, que teve alta de 104,9%.

Formação de mecânicos

Uma rede com 48 escolas de formação de mecânicos, presente em 13 estados do país, tenta preparar os profissionais para essa nova realidade. Cerca de 120 mil alunos já passaram por lá, só no ano passado foram 20 mil. Em 5 meses, é possível concluir o primeiro módulo e já trabalhar como assistente de mecânico.

A fundadora da escola, Sandra Nalli, explica que o ofício exige muito mais hoje dos profissionais. Segundo ela, as montadoras vêm colocando bastante tecnologia embarcada nos carros e há uma diversidade de veículos muito maior do que no passado. Quando esses fatores se somam, fica evidente a necessidade de buscar capacitação.

Isso inclui dominar modernos equipamentos de medição que apontam o real problema do veículo, como multímetros, osciloscópios e scanners. Mas como fugir de oficinas que não são sérias?

A orientação da Sandra é ficar atento a preços muito abaixo do mercado. "Se vc foi fazer o orçamento de um pneu por exemplo, e percebeu que aquele item está muito abaixo do preço, ninguém faz milagre. então fique atento porque provavelmente há uma indução para que você vá até a oficina para substituir esse item e lá podem encontrar outras coisas no veículo e sugerir a troca ou a compra de algum serviço", alerta .

E lembra da Sebastiana, que o primeiro mecânico cobrou até 16 mil reais, e apontou que o problema no carro dela era no câmbio? Ainda bem que ela procurou outro profissional. O defeito era a bomba de combustível entupida e não tinha nada a ver com o câmbio. O conserto ficou em torno de 3 mil reais, bem menos que o primeiro orçamento.

Depois do reparo, o carro voltou a funcionar normalmente. A equipe até testou o veículo subindo a ladeira que era a principal queixa. "tá subindo bem!! com certeza. agora ficou bom, maravilha", comemorou.

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