Casos suspeitos de leptospirose quase dobram em 24 horas em Ubá
Cidade mineira foi atingida por enchentes e deslizamentos de terra em fevereiro devido às fortes chuvas


Camila Stucaluc
Os casos suspeitos de leptospirose na cidade de Ubá, em Minas Gerais, quase dobraram em 24 horas. Segundo a Secretaria de Saúde, mais 37 possíveis infecções foram relatadas na quinta-feira (12), subindo o total de 41 para 78. Até o momento, uma morte pela doença foi confirmada.
O balanço é feito desde 24 de fevereiro, quando a cidade foi atingida por fortes temporais. Ao todo, sete moradores morreram e mais de 400 ficaram desabrigados em decorrência das enchentes e deslizamentos de terra. Outras 65 vítimas foram registradas em Juiz de Fora, também castigada pelas chuvas.
Em comunicado, a secretaria informou que as amostras dos possíveis casos de leptospirose foram encaminhadas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte.
A pasta reforçou que a doença pode ser transmitida pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de ratos — situação comum após enchentes. A orientação é que a população fique atenta a sintomas como febre, dor de cabeça, dor intensa no corpo, sobretudo nas panturrilhas, náuseas e vômitos.
Nesses casos, a recomendação é procurar uma unidade de saúde. “Se houver agravamento, busque atendimento hospitalar imediato. As equipes de saúde seguem monitorando a situação e intensificando as ações de prevenção no município”, afirmou a secretaria.
O que é leptospirose?
A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira. A infecção ocorre a partir da pele com lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou por meio de mucosas.
O período de incubação, ou seja, intervalo de tempo entre a transmissão da infecção até o início das manifestações dos sinais e sintomas, pode variar de um a 30 dias, sendo que, normalmente, ocorre entre sete a 14 dias após a exposição a situações de risco.
Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dor muscular, falta de apetite, náuseas e vômitos. Também podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular e tosse. Nas formas graves da doença, a manifestação é caracterizada por tonalidade alaranjada, insuficiência renal e hemorragia.
O diagnóstico específico é feito a partir da coleta de sangue. Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento com o uso de antibióticos deve ser iniciado no momento da suspeita. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, mas, nos casos graves, a hospitalização deve ser imediata, visando evitar complicações e diminuir a letalidade.
Veja os principais meios de prevenção:
- Cuidados com a água para consumo: o líquido deve ser filtrado, fervido ou clorado para consumo humano, já que é comum quebras na canalização durante as enchentes;
- Cuidados com a lama: lamas de enchentes tem alto poder infectante e adere a móveis, paredes e chão. Recomenda-se retirar essa lama (sempre com a proteção de luvas e botas de borracha) e lavar o local, desinfetando-o a seguir com uma solução de hipoclorito de sódio a 2,5%;
- Cuidados em meio às enchentes: evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés);
- Controle de roedores: para o controle dos roedores, recomenda-se acondicionamento e destino adequado do lixo, armazenamento apropriado de alimentos, desinfecção e vedação de caixas d’água, vedação de frestas e aberturas em portas e paredes, etc. O uso de raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos devidamente capacitados.









