“Foi um milagre”, diz enfermeira após resgate de 110 idosos em Ubá, Zona da Mata mineira
Casa de repouso foi invadida pela água durante a madrugada; idoso chegou a ser dado como desaparecido, mas foi encontrado com vida

Naiara Ribeiro
No dia mais crítico da chuva em Ubá, na Zona da Mata mineira, 110 idosos da Casa de Repouso São Vicente de Paulo, no Centro da cidade, precisaram ser retirados às pressas após a água invadir o imóvel. Os fundos da instituição dão acesso à Avenida Beira Rio, uma das áreas mais atingidas.
“Foi um milagre, porque a gente não sabia o que ia encontrar”, relatou, emocionada, a enfermeira da instituição, Larissa Martins Pires. Segundo ela, o momento mais angustiante ocorreu durante a madrugada, quando um dos idosos não foi localizado na primeira contagem.
Dos 110 moradores, 35 homens (muitos debilitados e acamados) foram retirados por volta de 1h da manhã. Apenas quatro funcionários estavam no local no momento da emergência. Durante a conferência dos idosos removidos, um deles estava desaparecido.
O Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas enfrentavam múltiplas ocorrências na cidade. Além disso, o volume de água e o risco envolvendo a rede elétrica dificultavam o acesso ao prédio.
O idoso foi encontrado com vida horas depois.
“Desde 2h da manhã, quando fizeram a contagem, até quase 5h, quando encontraram ele, foi um momento de muita angústia. Graças a Deus, ele já teve alta e está em casa”, contou Larissa.
Estrutura comprometida e medo de nova chuva
O primeiro andar da casa permanece vazio. Embora voluntários estejam ajudando na limpeza, ainda não há condições de reorganizar os quartos, principalmente diante da previsão de mais chuva.
“Nossa lotação está máxima. Estamos todos amontoados”, afirmou a enfermeira.
A enchente destruiu equipamentos da lavanderia (fundamentais para o funcionamento da instituição), além de um carro e do sistema de energia solar.
Apesar das perdas, o cenário também é de solidariedade. “Muitos voluntários. É emocionante ver todo mundo dando as mãos e o quanto as pessoas são solidárias”, comenta a enfermeira.
Ubá ainda tenta se reerguer
A casa de repouso não é a mesma que viralizou nas redes sociais com imagens de idosos boiando em colchões durante a enchente, mas as dificuldades são semelhantes às enfrentadas por instituições que cuidam de pessoas vulneráveis em situações como essa.
Com a água começando a baixar, máquinas de outras cidades chegaram para ajudar na retirada de entulho e na limpeza das ruas.
“Igual a essa situação, nunca vimos. Em 2020 já perdemos tudo em outra enchente, mas em 24 horas conseguimos nos estabilizar. Dessa vez, ainda não sabemos em quanto tempo vamos conseguir organizar tudo de novo. Perdemos muito e contamos com a ajuda de todo mundo.”








