Brasil

Queda de avião no Pantanal mata um dos maiores arquitetos do mundo e cineastas brasileiros

Acidente deixou quatro vítimas: o chinês Kongjian Yu, os documentaristas Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr., e o piloto da aeronave

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Emanuelle Menezes
24/09/2025, 12:05 • Atualizado em 25/09/2025, 00:53
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Quatro pessoas morreram na queda de um avião de pequeno na zona rural de Aquidauana, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, na noite desta terça-feira (23). Uma das vítimas é o chinês Kongjian Yu, considerado um dos maiores arquitetos do mundo e criador do conceito de "cidades-esponja".

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Além de Yu, morreram no acidente: o documentarista Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr. e o piloto Marcelo Pereira de Barros.

Kongjian Yu, Luiz Ferraz, Rubens Crispim Jr e Marcelo de Barros | Reprodução
Kongjian Yu, Luiz Ferraz, Rubens Crispim Jr e Marcelo de Barros | Reprodução

A Olé Produções, da qual o cineasta Luiz Ferraz era sócio, confirmou o acidente em uma publicação nas redes sociais. A equipe produzia um documentário sobre o Pantanal.

Acidente

A aeronave caiu por volta das 18h30, na região da Fazenda Barra Mansa, uma área turística do Pantanal a aproximadamente 110 km de distância do município de Aquidauana (MS).

O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado por volta de 20h10 para atender a ocorrência e, chegando ao local, os militares encontraram as quatro vítimas já mortas. Ainda segundo a corporação, o acidente aconteceu no momento em que o avião realizaria o pouso.

A operação de busca e resgate durou cerca de 9 horas, por causa da distância e condições de acesso ao local.

Quem era Kongjian Yu

Kongjian Yu tinha 62 anos | Reprodução
Kongjian Yu tinha 62 anos | Reprodução

O arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu, de 62 anos, era um dos principais nomes do planejamento urbano sustentável mundial. Formado pela Universidade Florestal de Pequim e pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Yu ganhou reconhecimento internacional ao desenvolver o conceito de "cidades-esponja", modelo que propõe transformar os espaços urbanos em sistemas capazes de absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva.

O termo surge como resposta ao impacto da urbanização acelerada e das mudanças climáticas, que aumentam a frequência de enchentes em grandes cidades. A ideia é que ruas, praças, telhados e áreas públicas incorporem soluções de drenagem natural – como jardins alagáveis, pavimentos permeáveis, wetlands e parques inundáveis – que funcionam como uma esponja, absorvendo o excesso de água durante tempestades e liberando-a de forma controlada depois.

A proposta, já aplicada em dezenas de cidades na China e estudada em outros países, busca reduzir enchentes, melhorar a qualidade da água, combater ilhas de calor e criar espaços urbanos mais verdes e habitáveis. Para Yu, as cidades precisavam reaprender a conviver com a água, em vez de tentar eliminá-la por meio de canais e concreto.

Chamado de "pai das cidades-esponja", Kongjian Yu recebeu prêmios internacionais de arquitetura e sustentabilidade e defendia que a infraestrutura urbana do futuro devia se inspirar nos processos da natureza.

Professor da Universidade de Pequim, Yu estava no Brasil desde o início de setembro, quando participou de uma conferência internacional. Na última quinta-feira (18), esteve na abertura da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, realizada no Parque Ibirapuera.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) lamentou a morte do chinês. "Sua obra deixa um legado de compromisso com a sustentabilidade, a paisagem e a vida urbana. O CAU/BR se solidariza com a família, amigos e colegas do arquiteto", disse a presidente do conselho, Patrícia Sarquis Herden.

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