Polícia Civil do DF investiga fraudes em empréstimos do BRB
Suposto esquema é de que correspondentes bancários, os "pastinhas", procuravam clientes pelas redes sociais e se apresentavam como representantes do banco
Pedro Canguçu
28/05/2026, 11:54 • Atualizado em 28/05/2026, 14:43
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O próprio BRB procurou a PCDF ao identificar indícios de irregularidades na concessão de consignados | Divulgação/Agência Brasília e PCDF
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) mira, nesta quinta-feira (28), um suposto esquema de fraudes em empréstimos do Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, correspondentes bancários, gerentes do banco e operadores financeiros atuavam juntos para liberar créditos irregulares, inclusive milionários, mediante pagamento de propina.
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Batizada de Crédito Corrompido, a ação, coordenada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), cumpre 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 1,01 milhão em bens e valores ligados aos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram no ano passado, depois que o próprio BRB procurou a corporação ao identificar indícios de irregularidades na concessão de empréstimos consignados.
Cumprimento de mandado na operação Crédito Corrompido, da PCDF | Divulgação/Polícia Civil do DF
A suspeita é de que correspondentes bancários, conhecidos como "pastinhas", procuravam clientes pelas redes sociais e se apresentavam como representantes do banco para oferecer crédito. O foco do grupo eram pessoas que, em tese, não poderiam conseguir empréstimos, como servidores temporários.
Segundo a apuração, documentos falsificados eram enviados às agências e gerentes envolvidos autorizavam os contratos mesmo diante das irregularidades. Depois que o dinheiro caía na conta, parte dos clientes repassava cerca de 30% do valor do empréstimo ao grupo. Em outros casos, de acordo com a polícia, os próprios gerentes desviavam o dinheiro diretamente para contas ligadas aos criminosos.
As investigações também revelaram uma segunda frente do esquema: a liberação de empréstimos milionários. Conforme a PCDF, alguns empregados do BRB recebiam propina para facilitar a aprovação de altos valores em parceria com operadores financeiros. A polícia identificou diferentes núcleos suspeitos dentro do esquema, incluindo os chamados "pastinhas", intermediários, gerentes do setor varejo e da alta renda do banco, além de operadores financeiros responsáveis por negociar e distribuir pagamentos ilícitos.
Nesta fase da investigação, os suspeitos podem responder por peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão.
A operação teve apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), além das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Leia nota do BRB sobre a operação:
"O BRB informa que a Operação Crédito Corrompido, conduzida pela Polícia Civil do DF, teve início a partir de informações repassadas pelo próprio Banco às autoridades competentes, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance.
A apuração interna teve início ainda em 2025, evidenciando a atuação proativa e diligente da instituição. Após a identificação dos fatos, o Banco adotou as medidas administrativas cabíveis, resguardando o interesse institucional e o devido processo.
O Banco segue colaborando integralmente com as autoridades para assegurar a conformidade de suas operações e a devida responsabilização de eventuais envolvidos."
Polícia Civil do DF investiga fraudes em empréstimos do BRBSuposto esquema é de que correspondentes bancários, os "pastinhas", procuravam clientes pelas redes sociais e se apresentavam como representantes do bancoBrasil2026-05-28T11:54:05.025ZUma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) mira, nesta quinta-feira (28), um suposto esquema de fraudes em empréstimos do Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, correspondentes bancários, gerentes do banco e operadores financeiros atuavam juntos para liberar créditos irregulares, inclusive milionários, mediante pagamento de propina. Batizada de Crédito Corrompido, a ação, coordenada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), cumpre 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 1,01 milhão em bens e valores ligados aos investigados. De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram no ano passado, depois que o próprio BRB procurou a corporação ao identificar indícios de irregularidades na concessão de empréstimos consignados. A suspeita é de que correspondentes bancários, conhecidos como "pastinhas", procuravam clientes pelas redes sociais e se apresentavam como representantes do banco para oferecer crédito. O foco do grupo eram pessoas que, em tese, não poderiam conseguir empréstimos, como servidores temporários. Segundo a apuração, documentos falsificados eram enviados às agências e gerentes envolvidos autorizavam os contratos mesmo diante das irregularidades. Depois que o dinheiro caía na conta, parte dos clientes repassava cerca de 30% do valor do empréstimo ao grupo. Em outros casos, de acordo com a polícia, os próprios gerentes desviavam o dinheiro diretamente para contas ligadas aos criminosos. As investigações também revelaram uma segunda frente do esquema: a liberação de empréstimos milionários. Conforme a PCDF, alguns empregados do BRB recebiam propina para facilitar a aprovação de altos valores em parceria com operadores financeiros. A polícia identificou diferentes núcleos suspeitos dentro do esquema, incluindo os chamados "pastinhas", intermediários, gerentes do setor varejo e da alta renda do banco, além de operadores financeiros responsáveis por negociar e distribuir pagamentos ilícitos. Nesta fase da investigação, os suspeitos podem responder por peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão. A operação teve apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), além das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro. Leia nota do BRB sobre a operação: "O BRB informa que a Operação Crédito Corrompido, conduzida pela Polícia Civil do DF, teve início a partir de informações repassadas pelo próprio Banco às autoridades competentes, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance. A apuração interna teve início ainda em 2025, evidenciando a atuação proativa e diligente da instituição. Após a identificação dos fatos, o Banco adotou as medidas administrativas cabíveis, resguardando o interesse institucional e o devido processo. O Banco segue colaborando integralmente com as autoridades para assegurar a conformidade de suas operações e a devida responsabilização de eventuais envolvidos."São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/policia-civil-do-df-investiga-fraudes-em-emprestimos-do-brb