Embate na defesa atrasa delação de ex-chefe do BRB
Paulo Henrique Costa prepara proposta ampla, e advogado aponta falta de provas


Paulo Henrique Costa
A divergência entre os advogados que compunham a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-chefe do Banco de Brasília, atrasou a previsão de início da negociação por uma delação premiada.
A expectativa era que Costa assinaria com os investigadores da Polícia Federal e da PGR (Procuradoria-Geral da República) um termo de confidencialidade na última semana.
O documento dá início formal às tratativas por uma colaboração premiada. Com as reviravoltas na equipe de defesa do banqueiro, a assinatura do termo acabou adiada.
A divergência entre os advogados Davi Tangerino e Eugênio Aragão girava em torno do escopo da proposta de delação.
Ministro da Justiça no governo Dilma (PT), Aragão avaliava que o ex-chefe do BRB preparava uma delação muito ampla, sem provas que embasassem suas declarações. Tangerino, por outro lado, deu aval para Costa seguir com a proposta.
A delação de Paulo Henrique Costa terá como foco a cúpula da política do Distrito Federal, como o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e integrantes da Câmara Legislativa do DF.
Ele também deve citar um encontro que teve com o ministro do STF Alexandre de Moraes na casa de Daniel Vorcaro, em Brasília. A reunião foi revelada pelo portal Metrópoles, e o ministro nega as informações.
Diante das divergências, Aragão deixou a defesa na última terça-feira (19). Ele disse que somente participa de "iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade".
"Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas", completou.


























