Polêmica no "Roblox" reacende debate sobre crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes
Em 2025, mais de 327 suspeitos de abuso sexual infantil na internet foram presos em operações da Polícia Federal
SBT Brasil
A onda de protestos online no "Roblox", em reação às novas restrições de comunidade da plataforma, acendeu o debate em torno da vulnerabilidade de crianças e adolescentes na internet.
Nos últimos anos, o jogo foi alvo de uma série de críticas por facilitar a exposição de menores a conteúdo inadequado e a interação com adultos desconhecidos. Um cenário que colocou pais e autoridades em alerta.
Segundo a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, no ano passado, foram realizadas mil operações com foco no combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes na internet, que resultando em 327 prisões.
"O melhor interesse não é retirar as crianças do ambiente, mas fazer o ambiente se adaptar, o ambiente para as crianças. Então, que não sejam elas a saírem das plataformas, mas sim as pessoas que estão cometendo esse ato", defende a advogada Maraisa Cezarino.
Restrições e protestos no Roblox
Em respostas às acusações, o Roblox decidiu restringir o uso do bate-papo para crianças. Agora, os jogadores precisam passar por uma verificação facial para comprovar a idade e, menores de 13 anos, só terão o uso permitido com autorização de responsáveis. A nova regra foi implementada globalmente.
"Estamos falando de um espaço que é público. A gente não larga crianças e adolescentes na rua sozinhos para falar com estranhos maiores que eles, e o mesmo deveria se replicar no mundo digital", argumenta a advogada.
As mudanças, porém, não agradaram alguns jogadores e geraram protestos online, não só de crianças, mas também de adultos. Os manifestantes criaram placas virtuais, dentro do jogo, pedindo o retorno do acesso ao chat. Um dos cartazes que de maior repercussão nas redes sociais faz menção à música 'Cálice', de Chico Buarque, que ficou marcada como hino de resistência na ditadura militar.
Para o especialista em cibersegurança, Renato Cunha, não deve demorar para que a restrição feita pelo "Roblox" também seja implementada por outros plataformas. "As empresas vão começar a endurecer cada vez mais essas regras contra o abuso infantil, e os pais precisam estar cada vez mais presentes nisso, para evitar que as crinaças acessem essas plataformas sem supervisão", alerta o especialista.








