Governo acompanha extensão de conflito no Oriente Médio com 'grande preocupação', diz Itamaraty
Israel iniciou operações militares ao longo da fronteira com o Líbano, deixando ao menos 40 mortos e 246 feridos


SBT News
O governo brasileiro acompanha a extensão do atual conflito no Oriente Médio para o Líbano com "grande preocupação", afirmou o Ministério das Relações Exteriores em nota. Nesta terça-feira (3), Israel iniciou operações militares ao longo da fronteira com o Líbano e afirmou ter autorizado o avanço de tropas para "assumir o controle de posições adicionais" no país.
Ainda na nota, o Itamaraty fez um apelo pela cessação imediata das hostilidades e instou ao cumprimento integral do acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano, firmado em 27 de novembro de 2024. Antes disso, a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 2006, também estabeleceu um cessar-fogo permanente entre as partes.
O Itamaraty informou também que não há registro de nacionais brasileiros entre as vítimas dos ataques. As Embaixadas do Brasil no Líbano e na região mantêm contato com as respectivas comunidades brasileiras e disponibilizam recomendações de segurança nas páginas eletrônicas e mídias sociais.
Os ataques de Israel no Líbano deixaram ao menos 40 mortos e 246 feridos nas últimas horas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O Acnur, a agência da ONU para Refugiados, informou que pelo menos 30 mil pessoas deslocadas buscaram proteção em abrigos no país.
Convocação de Mauro Vieira
Mais cedo nesta terça-feira, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara convocou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre a posição do Brasil diante do conflito. O requerimento foi apresentado pelo deputado Rodrigo Valadares (União-SE), que questionou a condução diplomática do governo após a escalada das hostilidades na região.
Para Valadares, o Itamaraty foi ágil ao condenar os ataques realizados por EUA e Israel contra alvos no Irã, mas não demonstrou a mesma rapidez ao se manifestar sobre as ações iranianas contra países do Golfo. A convocação ocorre após a divulgação de duas notas oficiais do Itamaraty, com posicionamentos sobre diferentes momentos da escalada militar.
Na primeira manifestação, publicada após os ataques de EUA e Israel contra o Irã, o governo brasileiro condenou as ações e expressou "grave preocupação" com a ofensiva, destacando que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.
Horas depois, diante dos ataques iranianos contra países do Golfo, o Itamaraty divulgou nova nota, em que afirmou ter "profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo", classificando a situação como ameaça à paz e à segurança internacionais.









