“Pessoas trans querem viver”, diz gerente da Casa Florescer
Alberto Silva alerta para abandono familiar, falta de acolhimento e desafios no envelhecimento



O envelhecimento da população trans ainda é marcado por abandono, violência e falta de políticas públicas específicas, afirmou Alberto Silva, gerente da Casa Florescer, em entrevista ao News Domingo, do SBT News. A unidade é o primeiro centro de acolhimento do Brasil exclusivo para mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade.
Para Alberto, a discussão sobre velhice LGBT+ precisa considerar histórias que ainda são invisibilizadas. “As pessoas velhas ficam esquecidas e as nossas histórias têm que ser contadas o tempo todo”, disse.
O gerente afirmou que muitas mulheres trans chegam aos centros de acolhida após romperem vínculos familiares em meio a situações de preconceito, abuso e violência. Segundo ele, “infelizmente, no seio familiar é onde se começam as maiores violências”.
Alberto relatou que a expulsão de casa e a falta de apoio podem empurrar pessoas trans para cenários de vulnerabilidade. “Geralmente, o lugar que acolhe é a prostituição, é a drogadição, porque infelizmente muitas escolas ainda não estão preparadas para receber os corpos LGBTs”, afirmou.

Na entrevista, ele também defendeu que famílias busquem informação e redes de apoio antes de rejeitar filhos e filhas LGBT+. “Quem sempre recolheu espinhos dificilmente vai conseguir colher rosas”, declarou, ao falar sobre as marcas deixadas pela falta de afeto.
Outro ponto citado foi a ausência de políticas públicas integradas para garantir educação, saúde, trabalho e moradia. Alberto afirmou que muitas pessoas trans ainda enfrentam barreiras até para alugar um imóvel: “As pessoas têm medo de alocar um imóvel para travesti”.
O envelhecimento, segundo ele, aprofunda essas dificuldades, especialmente quando instituições voltadas a idosos não estão preparadas para acolher a população trans. “Muitas pessoas às vezes preferem ficar na rua porque ela pode ter o seu direito violado pela questão dos valores morais e culturais daquele espaço”, disse.
Para Alberto, a baixa representatividade política também impacta diretamente a construção de políticas afirmativas. “A rua convoca, a urna confirma”, afirmou, ao defender mais lideranças LGBT+ em espaços de decisão.











