Brasil

Operação revela suspeita contra ONG que aparece em documentário da Netflix e novo setor do PCC

Polícia Civil diz que Pacto Social & Carcerário S.P servia a facção com dinheiro do tráfico de drogas; SBT News tenta localizar defesa da entidade social

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Derick Toda, Kaê Carneiro, com SBT Interior
14/01/2025, 13:03 • Atualizado em 15/01/2025, 00:38
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Sigla do Primeiro Comando da Capital | Reprodução/EBC

Sigla do Primeiro Comando da Capital | Reprodução/EBC

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A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo realizaram uma operação, nesta terça-feira (14), contra uma ONG suspeita de atuar para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A entidade social participou de um documentário da Netflix, no ano passado, que mostra o tratamento de detentos no sistema carcerário. A operação, nomeada "Scream Fake", falso grito em tradução livre, faz referência ao título do filme "Grito".

A operação revelou que a ONG Pacto Social & Carcerário S.P servia integrantes da organização criminosa em prisões como a Penitenciária II de Presidente Venceslau, local conhecido por ser o reduto do PCC, por meio de quatro setores da facção: Gravatas, Saúde, Financeiro e o novo, nomeado Reivindicações.

Segundo a Polícia Civil, o último setor era usado para desestabilizar o sistema de Justiça e manipular a opinião pública com manifestações e denúncias infundadas.

A operação cumpre 12 mandados de prisão preventiva e 14 de busca domiciliar, em cidades do estado de São Paulo, incluindo a capital paulista, Presidente Prudente, Guarulhos, Presidente Venceslau, Flórida Paulista, Irapuru, Ribeirão Preto, Sorocaba e Londrina.

Até o momento, três advogados, apontados como integrantes do PCC, além do presidente e vice-presidente da ONG foram presos. As redes sociais da entidade social foram suspensas por ordem judicial.

Luciene Neves, presidenta, e Geraldo Salles, vice da Ong Pacto Social & Carcerário S.P | Reprodução/redes sociais
Luciene Neves, presidenta, e Geraldo Salles, vice da Ong Pacto Social & Carcerário S.P | Reprodução/redes sociais

Investigação começou após flagrante em prisão

Penitenciária II de Presidente Venceslau | Reprodução/SAP
Penitenciária II de Presidente Venceslau | Reprodução/SAP

A investigação teve início há três ano após uma pessoa ser presa por tentar entrar na Penitenciária de Presidente Venceslau com mídias externas ocultas em suas roupas. O material foi apreendido e analisado. De acordo com a Polícia Civil, essas informações apontaram a relação com os setores do PCC.

Setores do PCC

PCC na máquina pública: investigação aponta ao menos 10 cidades com fraudes em licitações milionárias e corrupção | Reprodução/Agência Brasil
PCC na máquina pública: investigação aponta ao menos 10 cidades com fraudes em licitações milionárias e corrupção | Reprodução/Agência Brasil

O "Setor da Saúde" era responsável pelo atendimento a homens importantes da facção, oferecendo um plano exclusivo.

Advogados ligados ao "Setor dos Gravatas" contratavam médicos e dentistas, muitas vezes sem que eles soubessem da ligação com o PCC, para atendimentos que incluíam procedimentos estéticos e cirúrgicos.

Os profissionais eram pagos com recursos ilegais do "Setor Financeiro", como o dinheiro do tráfico de drogas, com pagamentos acima do valor de mercado.

Considerada a principal descoberta da operação, o "Setor das Reivindicações" orquestrava ações judiciais ilegítimas e compartilhava acusações falsas contra agentes públicos, desestabilizando o sistema carcerário e de Justiça.

Esse era um dos papeis da ONG, que é sediada em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, que não apenas servia ao PCC, mas tentava inserir o crime organizado em discursos politizados, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público.

O SBT News tenta localizar a defesa da ONG. O espaço segue aberto e a reportagem será atualizada com o posicionamento.

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