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PCC: como principal facção do país se organiza? Força-tarefa contra o crime organizado revela estrutura

Saiba setor responsável pelos "tribunais do crime", o que são os "Gravatas" do PCC e os que dão a "última palavra" em assuntos estratégicos e sensíveis

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Derick Toda, Alan Covas
Sintonia final, a cúpula do PCC. Da esquerda para direita, Marcola, "Vida Loka", o Beto, "Gegé do Mangue", o "Cego", o "Biano", "Biroska" e Júlio Cesar Guedes de Moraes | Reprodução/IPA

Sintonia final, a cúpula do PCC. Da esquerda para direita, Marcola, "Vida Loka", o Beto, "Gegé do Mangue", o "Cego", o "Biano", "Biroska" e Júlio Cesar Guedes de Moraes | Reprodução/IPA

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP-SP), a Polícia Civil, Militar e Federal chegaram a um novo entendimento de como o Primeiro Comando da Capital (PCC), a principal organização criminosa do Brasil, se organiza em território nacional e internacional.

A explicação está incluída no inquérito policial de cerca de 1300 páginas. A investigação, que o SBT News teve acesso, mostra a atuação do PCC em um esquema de fraude de licitações com corrupção de agentes públicos, em cidades no estado de São Paulo.

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Fundada em 1993, durante uma rebelião no anexo da penitenciária Casa de Custódia de Taubaté, interior de São Paulo, a facção se expandiu ano a ano no território brasileiro. Foi somente em 2002 que, Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, um dos fundadores do PCC, passou a ser considerado a liderança máxima na organização, segundo as autoridades.

Na visão das seguranças públicas, foi a partir de 2006 que a facção se profissionalizou “como uma verdadeira organização criminosa, com escalações de hierarquia, funções delimitadas, disciplina rígida, setor jurídico, corrupção de autoridades, infiltração no meio político, compartimentação de funções e informações, além da adoção de modelo empresarial”.

Apesar do sistema de funcionamento, o grupo criminoso atua de forma descentralizada. Isso significa que existem estruturas regionais com autonomia relativa frente à liderança, chamada de Sintonia Final Geral, conforme o organograma inserido na investigação.

Organograma da estrutura do PCC realizado pelo Ministério Público, Polícia Militar, Civil, Federal e Administração Penitenciária | Reprodução/MPSP
Organograma da estrutura do PCC realizado pelo Ministério Público, Polícia Militar, Civil, Federal e Administração Penitenciária | Reprodução/MPSP

Sintonia Final Geral

Para as autoridades públicas, a Sintonia Final é o grupo seleto do PCC composto pelos fundadores e sucessores deles. Pertence a eles a “última palavra” para decidir controle de temas sensíveis, estratégicos e financeiros.

Sintonia Restrita

Ao lado da Final Geral, a Sintonia Restrita é integrada pelos faccionados de “estrita confiança da cúpula”, responsáveis pelas atividades de inteligência do PCC.

Com a prisão dos principais líderes, que se encontram detidos na Penintenciária II de Presidente Venceslau e presídios federais, as forças de inteligência afirmam que a organização criminosa converteu essas adversidades com o "aperfeiçoamento" da estrutura do Comando.

A Sintonia Final Cúpula, fundadores do PCC e sucessores | Reprodução/ International Police Association (IPA)
A Sintonia Final Cúpula, fundadores do PCC e sucessores | Reprodução/ International Police Association (IPA)
  • Setor Financeiro: Esse é o grupo que resume as atividades financeiras da facção.
  • Sintonia Geral do Prazo: São os integrantes do PCC que administram as dívidas, associadas às rifas e mensalidades, além do empréstimo de dinheiro, armas e veículos da facção.
  • Sintonia Geral do Progresso: Eles ficam responsáveis pelo gerenciamento do tráfico de drogas, que é o principal meio ilegal do crime organizado.

Sintonia de Rua

De acordo com os órgãos públicos, nessa sintonia ocorre a divisão da facção territorialmente, que compreende as “sintonias de outros estados e países” e nas diversas regiões da Baixada e Interior, onde a estrutura de organização do PCC é estabelecida a partir dos códigos de telefone.

📱 12 - Vale do Paraíba

📱 14 - Bauru

📱 15 - Sorocaba

📱 16 - Ribeirão Preto

📱 17 - São José do Rio Preto

📱 18 - Presidente Prudente

📱 19 - Campinas

Primeiro Comando da Capital exibe faixa "Paz, Justiça e Liberdade" | Reprodução/International Police Association
Primeiro Comando da Capital exibe faixa "Paz, Justiça e Liberdade" | Reprodução/International Police Association

Ainda anexada na investigação policial, as autoridades explicam que o Sintonia Geral do Livro ou do Cadastro é a encarregada do registro e ingresso dos novos membros do organização criminosa, também conhecida pelos "batismos", além de exclusões e "retornos" daqueles que deixam o grupo criminoso.

Já a Sintonia Geral dos Gravatas realiza os serviços legais e ilegais dos advogados do crime organizado.

Sintonia dos 14

Com a Sintonia Final da Rua, que são os integrantes de confiança dos fundadores, a Sintonia dos 14 assume a função de decidir os julgamentos fora do Tribunal de Justiça, conhecidos como tribunais do crime. Segundo o entendimento das autoridades, essa prática, nos dizeres da facção, é chamada de Tabuleiros, em caso de descumprimento das regras da organização por parte dos que se aliam ao crime organizado.

"Cabe a eles deliberar sobre a quebra da harmonia entre integrantes e/ou população sob jugo da organização criminosa, com a aplicação de 'sanções'", explicam as autoridades, no documento do Ministério Público.

Código penal

Independentemente do crime cometido por um integrante da facção criminosa, aquele que é preso e identificado como pertencente a alguma organização ilícita, pode responder judicialmente a três a oito anos de prisão, de acordo com a Lei n.º 12.850/2013, que estabelece os principais agravantes:

  • § 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver emprego de arma de fogo.
  • § 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.
  • § 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

I - se há participação de criança ou adolescente;

II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal;

III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior.

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