Brasil

Caso Bruno Henrique: MP e PF monitoraram jogos do Flamengo e cogitaram abordar jogador na concentração

Autoridades tiveram 2 mandados de apreensão negados pela Justiça. Conheça a estratégia adotada pela investigação e desafios para chegar ao atacante

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Derick Toda, Alan Covas
06/11/2024, 19:36 • Atualizado em 07/11/2024, 11:48
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Bruno Henrique, atacante camisa 27 do Flamengo | Reprodução/redes sociais

Bruno Henrique, atacante camisa 27 do Flamengo | Reprodução/redes sociais

Uma das dificuldades da operação do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal (PF) contra o atacante Bruno Henrique, suspeito de provocar um cartão amarelo para se beneficiar de apostas esportivas no jogo entre Flamengo e Santos, no Brasileirão de 2023, foi justamente a dinâmica da vida de jogador.

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As autoridades não tinham a certeza do local que o atleta estaria pela agenda de viagens esportivas do rubro-negro. O SBT News teve acesso à investigação e mostra a estratégia do trabalho policial.

Para o cumprimento dos doze mandados de busca e apreensão e a atuação conjunta do MP e PF, na terça-feira (5), a investigação monitorou a tabela de partidas do time carioca.

O objetivo era realizar a apreensão do celular do jogador "em alguma janela de oportunidade" que Bruno Henrique estivesse em casa, "antes ou após algum jogo do Flamengo", no Rio de Janeiro, segundo o documento do MP.

Autoridades monitoraram tabela de jogos do Flamengo para chegar em Bruno Henrique | Reprodução/MP
Autoridades monitoraram tabela de jogos do Flamengo para chegar em Bruno Henrique | Reprodução/MP

Como solução para chegar ao atacante, no dia 30 de outubro, o MP e o PF pediram mandados de busca e apreensão para abordar o jogador em qualquer quarto de hotel que ele estivesse e se o encontrassem andando em via pública. O argumento das autoridades partiu do período de "concentração" que antecede partidas, prática comum pelos clubes profissionais.

"Não é incomum que a equipe, assim como várias outras da 1ª divisão do campeonato nacional, se instale, no período de concentração que antecede seus compromissos esportivos, em hotéis, buscando facilitar a participação nesses jogos e facilitar o fluxo das próximas disputas", afirmaram o MP e a PF

Cartão vermelho

Sétima Vara Criminal de Brasília, que analisou pedidos sobre Bruno Henrique | Reprodução/TJDFT
Sétima Vara Criminal de Brasília, que analisou pedidos sobre Bruno Henrique | Reprodução/TJDFT

No entanto, o juiz Fernando Brandini Barbagalo, na segunda-feira (4), na véspera da operação, negou os pedidos de abordar Bruno Henrique em "qualquer quarto de hotéis" ou na "via pública", considerando a fama do camisa 27 e riscos para mais envolvidos.

Para o juiz, além do pedido em hospedagens ser "demasiadamente genérico", a ação poderia afetar outras pessoas que não estavam relacionadas na investigação, sendo os atletas, funcionários e torcedores no local ou nas imediações.

O representado [Bruno Henrique] é jogador de futebol afamado, atleta de clube nacionalmente conhecido, estando na disputa títulos em campeonatos de nível nacional e a medida, caso autorizada nos moldes propostos, pode afetar outro(s) atleta(s) que esteja dividindo quarto com o Representado e todos os demais atletas e componentes da delegação, além de obviamente ter potencial para causar tumulto no hotel, caso existam torcedores no local ou nas imediações", decidiu o juiz Fernando Brandini Barbagalo.

Já sobre o pedido de parar o atacante na rua, o juiz argumentou que poderia expor o atleta de forma vergonhosa e que caberia as "autoridades verificar o momento mais adequado para obter sucesso" na operação.

Os policiais realizaram a ação nas primeiras horas de terça-feira, acordando o jogador na própria casa, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Viagem

Bruno Henrique se desloca para Minas Gerais para confronto com Cruzeiro | Marcelo Cortes/CRF
Bruno Henrique se desloca para Minas Gerais para confronto com Cruzeiro | Marcelo Cortes/CRF

Na tarde de terça-feira (6), mesmo investigado, o atacante do Flamengo não foi poupado pelo técnico Filípe Luis e viajou a Minas Gerais para partida contra o Cruzeiro, válido pelo Campeonato Brasileiro, nesta quarta-feira (6).

De acordo com o documento do Ministério Público, Bruno Henrique pode responder por crime de fraude de resultado esportivo e corrupção passiva esportiva.

O que dizem os citados

O SBT News procurou o Flamengo, que informou que não teve os autos do inquérito e que a mesma investigação sobre o tema foi arquivada no âmbito esportivo. Bruno Henrique foi questionado, mas disse que não vai se posicionar.

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