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ONG aponta falhas na operação que deixou 122 mortos no Rio

Um ano após a ação policial mais letal do país, documento identifica indícios de manipulação das provas

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Beatriz Nogueira
Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

A Organização não governamental internacional Human Rights Watch (HRW) identificou indícios de manipulação generalizada das câmeras corporais dos policiais, uso excessivo da força e problemas na preservação dos locais onde as vítimas foram mortas na ação policial que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro, há 1 ano. O relatório foi divulgado nesta quarta-feira (28).

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A operação foi realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense. Entre os mortos, cinco eram policiais.

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“Em vez de encontrar imagens e documentação claras sobre os eventos desse dia, os pesquisadores encontraram evidências que sugerem manipulação generalizada das câmeras corporais dos policiais, graves falhas na investigação e uso excessivo da força”, afirmou o relatório.

A ONG realizou 41 entrevistas com familiares das vítimas e autoridades e analisou 4.4 mil horas de gravações de câmeras corporais dos policiais, laudos de necropsia, autos de procedimentos investigatórios criminais, processos judiciais e mais de 600 vídeos e fotografias.

Apesar do volume de material, a organização afirmou não ter encontrado registros em vídeo das mortes e questiona a atuação dos agentes e a condução das investigações.

As imagens de câmeras corporais mostram policiais agredindo pessoas detidas, além de evidências que sugerem mortes intencionais. Nenhuma das pessoas mortas constava entre os 51 indivíduos com mandados de prisão mencionados na principal investigação que motivou a operação.

No final do dia, vários corpos começaram a ser recolhidos por policiais, sem a preservação do local e sem a presença de equipes de perícia da Polícia Civil, conforme constatou a HRW. Parte deles foi levada a um local que também não contava com a presença da polícia técnica, para ser entregue à Defesa Civil, responsável pelo encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML).

A organização ressalta que muitas das vítimas provavelmente tinham ligação com a facção criminosa que atua na região. Imagens gravadas por drones da polícia mostram homens armados nas comunidades e na mata da Vacaria, área arborizada entre os complexos da Penha e do Alemão.

Até a publicação do relatório, os comandantes que tomaram as decisões sobre a operação e os comandantes de unidades específicas envolvidas não foram responsabilizados. O Ministério Público denunciou 19 policiais, que aguardam julgamento, por invasão de domicílio, furto, manipulação de câmeras corporais, entre outros crimes, mas nenhum por uso ilegal da força.

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