Brasil

O que PF encontrou em operação na casa de Nelson Wilians

Defesa afirma que a relação com o grupo investigado é estritamente profissional e ligada à prestação de serviços jurídicos

Avatar de Anita Prado
Avatar de Caroline Vale
Anita Prado, Caroline Vale
Operação da PF mirou grupo de bets. | Reprodução

Operação da PF mirou grupo de bets. | Reprodução

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o advogado Nelson Wilians, na manhã desta quinta-feira (13), revelou imagens do interior do imóvel onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, no Jardim Paulista, em São Paulo.

Os vídeos mostram três carros de luxo na garagem. Entre eles uma Ferrari SF90, modelo esportivo híbrido cujo valor de mercado no Brasil pode superar R$ 4,8 milhões. Também aparecem dois utilitários esportivos Rolls-Royce Cullinan Black Badge, avaliados em cerca de R$ 6,6 milhões cada. Os carros não foram apreendidos.

Carros de luxo na casa de Nelson Wilians. | Reprodução
Carros de luxo na casa de Nelson Wilians. | Reprodução
SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

A operação faz parte da investigação que apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas à atuação de um grupo empresarial no mercado de apostas online. A Justiça Federal autorizou o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em SP, na Paraíba, no Paraná, no Rio de Janeiro e em Sergipe, além do sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.

Entre os objetos encontrados em toda a operação, realizada nos cinco estados, estão obras de arte, cavalos, joias, entre outros itens de luxo. Ainda não se sabe de quem são os objetos e os animais e o que exatamente foi apreendido.

No meio dos objetos, há uma obra assinada pelo artista modernista Emiliano Di Cavalcanti, que se for autêntica pode ser avaliada entre R$ 300 mil e R$ 800 mil.

Obra de arte e cavalos. | Reprodução
Obra de arte e cavalos. | Reprodução
Joias apreendidas. | Reprodução
Joias apreendidas. | Reprodução

Investigações

Nelson Wilians é um dos advogados mais conhecidos do Brasil e acumula milhares de seguidores nas redes sociais. A PF investiga suspeita de crimes tributários envolvendo a atuação do empresário no setor de apostas online, as chamadas bets.

A 4ª Vara Federal da Paraíba, responsável por expedir os mandados de busca e apreensão, também autorizou sequestro em bens e valores de até R$ 1,1 bilhão, montante equivalente às estimativas de recursos supostamente envolvidos nas irregularidades, e medidas de quebra de sigilo bancário e telemático.

Receita Federal e Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também participaram da força-tarefa | Divulgação/Polícia Federal
Receita Federal e Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também participaram da força-tarefa | Divulgação/Polícia Federal
Em nota, a PF afirmou que investiga "grupo empresarial suspeito de utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas".

O advogado estava na mira da PF desde setembro de 2025, quando a operação Sem Desconto, sobre fraudes por descontos indevidos em benefícios do INSS, cumpriu mandados de busca contra ele.

Operação Arena investiga atuação de grupo empresarial no mercado de bets | Divulgação/Polícia Federal
Operação Arena investiga atuação de grupo empresarial no mercado de bets | Divulgação/Polícia Federal

Investigados podem responder pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro e outros ilícitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

Em julho de 2026, Wilians foi alvo de outra força-tarefa, esta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Secretaria da Fazenda estadual (Sefaz-SP), no âmbito de apuração sobre suspeita de fraudes tributárias de até R$ 3,8 bilhões por meio da venda de créditos falsos de ICMS.

O que diz Nelson Wilians

Em manifestação sobre a operação desta quinta, o escritório de Nelson Wilians afirmou que a relação com o grupo investigado é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia. Segundo a defesa, a atuação dos advogados se limita ao exercício regular da profissão e não se confunde com as atividades empresariais desenvolvidas pelos clientes.

O escritório também repudiou qualquer tentativa de associar a atuação profissional dos advogados às atividades ou condutas atribuídas aos clientes. Na manifestação, a defesa pediu cautela para evitar que o exercício da advocacia seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades das pessoas e empresas representadas.

Últimas notícias