MP-SP pede manutenção da prisão de Deolane e outros 5 réus
Pedido foi feito durante a revisão obrigatória da prisão preventiva a cada 90 dias

Deolane Bezerra na chegada ao Palácio da Polícia, no Centro Histórico de São Paulo | Reprodução/SBT News
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva de Deolane Bezerra e de outros cinco réus em processo que apura suposta atuação em organização criminosa e lavagem de capitais ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pedido foi apresentado nessa quinta-feira (20) pelo Núcleo de Presidente Prudente do Gaeco à 3ª Vara Judicial da Comarca de Presidente Venceslau. Segundo o documento, os fundamentos que levaram às prisões ainda permanecem e justificam a continuidade da medida cautelar.
De acordo com a denúncia recebida pela Justiça em 16 de junho, os seis réus são processados pelos crimes de constituir ou integrar organização criminosa e lavagem de capitais. O Ministério Público afirma que o grupo teria utilizado empresas de fachada e pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para ocultar e dissimular valores que, segundo a acusação, seriam provenientes de atividades ilícitas do PCC.
O Gaeco descreve a estrutura investigada em três núcleos:
- O chamado núcleo decisório seria formado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior;
- O núcleo operacional seria composto por Everton de Sousa e Paloma Sanches Herbas Camacho;
- Já o núcleo financeiro teria Deolane Bezerra Santos e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Segundo o Ministério Público, relatórios produzidos a partir de quebras dos sigilos bancário e fiscal apontaram movimentações de grandes quantias e operações destinadas a transformar valores de origem supostamente ilícita em ativos aparentemente legais.
Alegações do Ministério Público sobre Deolane
No documento, o Gaeco afirma que Deolane teria atuado no chamado núcleo financeiro e exercido papel de destaque na movimentação de recursos. Segundo a acusação, ela teria utilizado contas pessoais e de empresas ligadas a ela para atos que o Ministério Público classifica como ocultação e dissimulação de valores.
O órgão também afirma ter identificado um suposto plano de reestruturação das empresas de Deolane e de transferência delas para fundos em Dubai. O Ministério Público cita uma análise que consta dos autos e relaciona a operação à possibilidade de utilização de empresas de fachada para lavagem internacional de ativos.
Ainda segundo o pedido, foram apreendidos dinheiro em espécie e uma máquina de contagem de cédulas em poder de Everton de Sousa. O Gaeco afirma que os valores e o equipamento pertenceriam a Deolane e usa esse elemento para sustentar a tese de continuidade das supostas atividades de lavagem de dinheiro.
As afirmações fazem parte da acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda serão submetidas ao contraditório e à análise judicial.
Decisões anteriores
O pedido também menciona que pedidos anteriores de revogação das prisões foram rejeitados e cita habeas corpus recentemente negados aos acusados.
O Ministério Público argumenta que, como os fatos e os fundamentos usados para justificar as prisões não teriam sido alterados, não haveria razão para modificar as medidas cautelares. A decisão sobre a manutenção ou eventual alteração das prisões cabe ao Poder Judiciário.
Deolane Bezerra está presa desde 21 de maio, quando foi alvo da Operação Vérnix. A influenciadora foi detida em um condomínio em Alphaville, na Grande São Paulo. A defesa buscava a revogação da prisão preventiva durante a revisão dos 90 dias prevista por lei.
















