Morre Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, aos 80 anos
Economista comandou o BC de janeiro a fevereiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso


SBT News
O economista Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, morreu nesta sexta-feira (8), aos 80 anos. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, depois de sofrer uma parada cardíaca durante uma cirurgia de úlcera em 22 de abril.
Chico, como era conhecido, ficou à frente do BC interinamente por apenas 19 dias, de janeiro a fevereiro de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele foi indicado em meio à crise de desvalorização do real, mas deixou o cargo depois do fracasso do plano de bandas diagonais endógenas, que propunha um sistema de câmbio flutuante.
Formado em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Lopes concluiu mestrado na Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado em Harvard, nos Estados Unidos. Foi professor na Universidade de Brasília (UnB), na FGV e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O economista auxiliou na formulação do Plano Cruzado em 1986 e colaborou com o Plano Bresser em 1987. Ele se tornou o primeiro diretor de Política Econômica do Banco Central, de 1995 a 1998.
Francisco Lopes deixa esposa, três filhos e sete netos. O velório será realizado neste sábado (9), a partir das 13h, no Cemitério do Caju, no Rio. A cremação está marcada para às 16h.
Nota do Banco Central
A Diretoria do Banco Central do Brasil recebe com profundo pesar a notícia do falecimento de Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o Chico Lopes, ocorrido nesta data.
Economista de formação singular — graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas e doutor pela Universidade de Harvard —, Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990.
No Banco Central Francisco Lopes serviu como diretor entre 1995 e 1998 e, brevemente, como presidente interino em janeiro e fevereiro de 1999, tendo deixado o Banco Central em março do mesmo ano. Sua contribuição mais duradoura ao Banco Central foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária — o Copom —, governança que até hoje norteia a condução da política monetária do País, conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros.
A Diretoria do Banco Central do Brasil presta sua homenagem a um economista que marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa, na memória desta casa e no pensamento econômico nacional, um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao País.
Nossos sinceros sentimentos à família e aos amigos.









