Brasil

Milei foi agressivo de forma inédita contra Lula, diz Vieira

Chanceler afirma que governo manterá o rebaixamento diplomático enquanto não houver resposta considerada satisfatória para os ataques do líder argentino

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Caroline Vale
Mauro Vieira afirmou que o Brasil manterá as relações diplomáticas rebaixadas com a Argentina. | Reprodução

Mauro Vieira afirmou que o Brasil manterá as relações diplomáticas rebaixadas com a Argentina. | Reprodução

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como "muito grosseira, muito direta e muito agressiva, inaudita" a postura do presidente da Argentina, Javier Milei, em relação ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou de forma inaudita, uma forma que nunca tinha se visto, o Brasil, as instituições na pessoa do presidente da República", declarou Vieira, durante entrevista ao programa Modo Fontevecchia, da TV argentina.

Segundo Vieira, o governo manterá o rebaixamento das relações diplomáticas entre os dois países até que Buenos Aires apresente explicações consideradas satisfatórias. Na terça-feira (4), o Brasil anunciou que o embaixador Julio Bitelli não retornará ao posto e que manterá apenas um encarregado de negócios em território argentino.

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O chanceler disse que a decisão foi tomada após a sequência de ataques públicos do presidente argentino ao governo brasileiro. "As condições foram os reiterados insultos e agressões ao Brasil, às instituições do governo brasileiro, ao Executivo brasileiro, ao chefe do Executivo e também ao Judiciário", afirmou.

O ministro afirmou que o governo brasileiro comunicou oficialmente sua posição ao embaixador argentino e condicionou a normalização das relações a uma resposta de Buenos Aires.

"Nós pedimos explicações e dissemos que, enquanto não houver explicações satisfatórias, nós vamos manter o nosso embaixador (...) e também o embaixador da Argentina será dirigido por um encarregado de negócios."

Mauro Vieira também classificou como "absolutamente surpreendente" a participação de Milei em uma convenção do PL no Brasil e afirmou que pessoas presentes no ato eram ligadas ao grupo investigado pela tentativa de golpe de Estado de 2023, referindo-se principalmente a Flávio Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

Ele ressaltou que Brasil e Argentina construíram, desde a redemocratização, uma relação de integração e cooperação que, segundo ele, foi abalada pelos episódios recentes.

Ao comentar a política externa do governo brasileiro, o chanceler afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém relações institucionais com governos de diferentes orientações políticas e defendeu que o respeito entre os países é indispensável para o diálogo. "A educação e o respeito é fundamental. Sem isso não pode haver diálogo. E a questão ideológica é totalmente secundária", concluiu.

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