Ipen confirma vazamento radioativo e descarta contaminação
Instituto diz que incidente ocorreu em área controlada na USP e que exames apontaram ausência de contaminação interna


ANSN investiga vazamento de material radioativo na USP | Reproduçaõ
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) confirmou nesta sexta-feira (12) que houve um vazamento de material radioativo no Centro de Radiofarmácia da instituição, localizado dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Segundo o órgão, dois trabalhadores estavam envolvidos no incidente, mas exames realizados posteriormente descartaram qualquer contaminação interna.
A informação foi divulgada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) após a repercussão da investigação aberta pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) sobre o caso.
De acordo com a CNEN, o episódio envolveu um metal chamado tecnécio-99. O vazamento ocorreu durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave utilizada no processo de produção de radiofármacos.
🔎 O tecnécio-99 é amplamente utilizado na medicina nuclear para a realização de exames diagnósticos. O Ipen é um dos principais produtores de radiofármacos do país.
Segundo o comunicado, a contaminação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia do instituto, sem registro de propagação para outras dependências da unidade ou para áreas externas do campus da USP.
"O Relatório de Ocorrência Interna (ROI) nº 04/2026 descreve que o incidente envolveu dois trabalhadores – Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs) – os quais foram submetidos a exames in vivo (Contador de Corpo Inteiro). As contagens detectadas foram baixas e demonstraram que não houve contaminação interna", informou a CNEN em nota.
O que aconteceu no IPEN?
O incidente ocorreu em 29 de maio e passou a ser investigado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear após denúncias feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e pela Associação dos Servidores do Ipen (Assipen).
As entidades afirmaram que a ocorrência teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica e levantaram questionamentos sobre a infraestrutura utilizada para atendimento dos trabalhadores envolvidos.
Segundo a CNEN, o Centro de Radiofarmácia do instituto abastece cerca de 430 clínicas e hospitais brasileiros e contribui para aproximadamente 2 milhões de procedimentos médicos por ano, muitos deles voltados ao diagnóstico e acompanhamento de pacientes com câncer.
A comissão informou ainda que o relatório da ocorrência será encaminhado para análise da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, que dará continuidade à apuração do caso.















