Economia

Conta de luz deve subir 8,6% em 2026, acima da inflação

Alta é puxada por subsídios, custos de energia e ajustes financeiros; bônus de Itaipu deve aliviar conta em agosto

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Caio Barcellos
12/06/2026, 13:36 • Atualizado em 12/06/2026, 14:00
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Conta de luz deve subir 8,6% | Agência Brasil

Conta de luz deve subir 8,6% | Agência Brasil

A conta de luz terá uma alta média de 8,6% em 2026, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (12) pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O percentual supera as estimativas de inflação usadas pela própria agência, de 4,9% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e de 5,8% para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em 2026.

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Segundo a reguladora, a alta é explicada principalmente pelo aumento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), pelos custos de energia e por componentes financeiros incorporados às tarifas. A agência afirma que os componentes financeiros de 2026 e os retirados de 2025 têm impacto agregado de 4,3% no efeito tarifário médio do país.

A CDE financia subsídios e políticas públicas do setor elétrico, como a tarifa social, descontos a fontes incentivadas (projetos de energia solar, eólica, biomassa e pequenas hidrelétricas), programas de universalização e custos das áreas que não estão conectadas ao SIN (Sistema Interligado Nacional), a grande rede elétrica que integra quase todo o país.

A Aneel estima que os encargos setoriais, grupo que inclui a CDE, responderão por 20,6% da composição média da tarifa residencial em 2026, sem tributos.

A tarifa residencial B1, usada como referência para consumidores residenciais comuns, deve chegar a R$ 851 por Megawatt-hora (MWh) em dezembro de 2026, segundo a Aneel. O valor não inclui tributos.

A composição estimada para este ano é de R$ 354 por MWh em energia, R$ 262 por MWh em distribuição, R$ 175 por MWh em encargos setoriais e R$ 60 por MWh em transmissão.

Subsídios

O boletim também mostra que os subsídios tarifários somaram R$ 55 bilhões no acumulado de junho de 2025 a maio de 2026, em média móvel. O dado aparece no chamado “subsidiômetro” da Aneel.

Entre os fatores que pressionam a tarifa, a Aneel cita a CDE Uso, parcela da Conta de Desenvolvimento Energético usada para bancar subsídios e políticas públicas do setor elétrico, com impacto de 3,0%.

Na direção contrária, a CDE GD, ligada à compensação de custos da geração distribuída, principalmente energia solar em telhados e pequenos empreendimentos, reduz o efeito médio em 1,6%.

A Aneel também cita a CVA Energia, mecanismo usado para compensar diferenças entre custos previstos e realizados, como um dos principais fatores de alta. O item tem impacto positivo de 2,9%. A CDE-Encargos também aparece com impacto de 2,9%.

Na direção contrária, a devolução de créditos de PIS/Cofins reduz o efeito médio em 1,6%. Os recursos de UBP também reduzem a tarifa em 1,6%, segundo a agência.

O boletim afirma que os recursos de UBP não estavam na previsão divulgada em março. O montante estimado para 2026 é de R$ 4,3 bilhões, com impacto de redução de 1,6 ponto percentual no efeito médio Brasil.

A agência também revisou a estimativa de devolução de PIS/Cofins. O valor caiu de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,3 bilhões, o que reduziu o potencial de alívio tarifário, de acordo com o boletim.

Alívio no Norte e Nordeste

Mesmo com a previsão de alta na média nacional, clientes de 22 distribuidoras terão desconto na conta de luz. O alívio, que pode chegar a 5,8%, será para consumidores atendidos por distribuidoras em áreas da Sudam e da Sudene, que abrangem principalmente Estados do Norte e do Nordeste. Também entram na lista Mato Grosso e partes de Minas Gerais e do Espírito Santo.

O abatimento será pago com recursos de UBP, uma compensação ligada ao uso de bens públicos por geradoras de energia. Contudo, o percentual definitivo será conhecido depois da conclusão dos processos tarifários das distribuidoras beneficiadas em 2026.

Bônus de Itaipu deve aliviar contas em agosto

O boletim também informa que consumidores residenciais e rurais do SINI com consumo mensal inferior a 350 kWh poderão receber crédito na fatura em agosto.

O chamado Bônus de Itaipu é aplicado quando há resultado positivo na Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu. A área técnica da Aneel propôs mudar o mês de aplicação do crédito de julho para agosto a partir de 2026.

A proposta ainda precisa ser aprovada pela diretoria da Aneel antes de entrar em vigor.

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