Governo de Minas vê "erosão" em unidade da Vale após transbordamento de água
Suspensão das atividades permanecerá em vigor até que a empresa apresente relatórios que demonstrem condições para restabelecer controle ambiental do projeto

Reuters
Equipes de inspeção constataram que a área da mina de Viga da Vale apresentou sinais de erosão e, por isso, autoridades do governo do estado de Minas Gerais ordenaram a suspensão cautelar da mina até segunda ordem, informaram nesta quinta-feira (29).
Na segunda-feira, a Vale anunciou a paralisação das operações em Viga e na mina vizinha de Fábrica, após fortes chuvas causarem transbordamentos que afetaram um rio local e as operações da vizinha CSN.
A suspensão das atividades em Viga permanecerá em vigor até que a empresa apresente relatórios que demonstrem condições para a Vale restabelecer o controle ambiental do projeto, afirmou Gustavo Endrigo, superintendente de fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Não está claro quando a Vale poderá retomar a produção nas minas, que também tiveram suas licenças de operação suspensas pela cidade de Congonhas. Os dois locais representam cerca de 2% da produção de minério de ferro da Vale prevista para este ano, segundo analistas.
A Vale já recebeu três multas que totalizam cerca de R$ 1,7 milhão do governo estadual devido aos incidentes de domingo, disseram as autoridades.
A Vale não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Anteriormente, a empresa havia declarado estar cooperando plenamente com as autoridades.
Danos causados pela água
As autoridades informaram que, além da água, os rejeitos da operação de mineração de minério de ferro da Vale em Fábrica atingiram o rio Maranhão.
Os transbordamentos foram causados pelas fortes chuvas ocorridas no dia e na semana anteriores ao incidente, disseram as autoridades.
Ainda são esperadas fortes chuvas no Brasil na próxima semana, de acordo com dados da LSEG, sendo Minas Gerais uma das regiões mais afetadas.
A Vale tem enfrentado intenso escrutínio desde dois grandes desastres em barragens em Minas Gerais na década passada.
Os incidentes de domingo ocorreram no aniversário do rompimento da barragem de Brumadinho em 2019, que provocou uma avalanche de rejeitos de mineração, matando cerca de 270 pessoas e devastando rios e comunidades locais.
A empresa negou qualquer ligação entre os transbordamentos recentes e as barragens de rejeitos que possui na região, as quais, segundo ela, estão em condições estáveis e seguras.
(Reportagem de Fabio Teixeira)








