”É muito evidente que caso Master é uma lavanderia de dinheiro”, afirma senador Alessandro Vieira
Relator do PL Antifacção diz que mudanças aprovadas pela Câmara enfraqueceram combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado



Basília Rodrigues
Marcela Mattos
Anita Prado
Delegado da polícia civil, hoje senador, Alessandro Vieira (MDB-SE) afirma que o Banco Master atuava com fundos e outras instituições bancárias como uma “lavanderia de dinheiro” de alcance nacional. Para o parlamentar, a versão da lei Antifacção aprovada no Congresso seria incapaz de impedir um novo caso Master porque trechos incluídos por senadores para atacar o crime de lavagem de dinheiro foram retirados por deputados.
“Os crimes se juntam na lavagem. A gente está falando de uma investigação tão longa que é preciso centrar esforços. Há diversos escândalos que se conectam. O escândalo da máquina do INSS se conecta com o caso Master, que se conecta com o Carbono Oculto, que se conecta com a Operação no Rio de Janeiro que apura a infiltração do Comando Vermelho nas mais altas esferas de poder daquele estado. Está tudo junto”, explicou em entrevista ao programa Sala de Imprensa.
O senador, que foi relator do PL Antifacção, afirma que o Congresso jogou fora a oportunidade de combater o crime organizado, com as mudanças feitas pela Câmara. O texto deixou de prever taxação de Bets como fonte de recursos para combater facções. A opção aprovada focou, na avaliação de Vieira, apenas em crimes comuns.
“Tem uma briga aí que é de convencimento, de compreensão do problema. É muito mais fácil, muito mais simples eu falar que bandido bom é bandido morto. As pessoas entendem com muito mais facilidade. E, assim, eu nunca tive pena de bandido. Mas isso não resolve o problema. Temos que ser honestos com as pessoas”, observou.
“O escândalo que envolve o banco Master é de alcance nacional. Você tem governos estaduais, prefeituras, membros do Poder Executivo federal, Poder Judiciário, servidores de carreira, políticos, parlamentares. É muita coisa, é muito dinheiro, é muito poder envolvido e tudo isso vai ter que ter resultado”, disse.
Vieira também defendia aumentar pena para organizações criminosas não armadas, classificação que ele acredita contemplar empresários, com perfil de executivos do Master.
A discussão sobre fonte de financiamento de ações contra o crime organizado voltará a ser feita pelo Congresso na votação da PEC da Segurança Pública.









