Fachin suspende decisões cruzadas e convoca plenário do STF
Presidente do STF também determinou que qualquer potencial investigação de ministros do STF seja enviada primeiro à Presidência do tribunal
Hariane Bittencourt, José Matheus Santos
Presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, na sessão de encerramento do primeiro semestre de 2026 | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino que afastaram e depois reintegraram, respectivamente, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
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Fachin também marcou para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar o caso.
O presidente do STF também determinou a interrupção do andamento da Petição 16.662, de relatoria de Mendonça, até nova deliberação. O processo trata de desdobramentos da Operação Compliance Zero, que tem o extinto Banco Master como alvo,e passou a reunir informações da Polícia Federal sobre as investigações.
Foi no âmbito dessa petição relatada por Mendonça que eclodiu a crise mais recente que divide a Corte. Na terça-feira (1º), Mendonça decidiu levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Nelas, Vorcaro pede conselhos ao ministro e negocia com Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, um contrato de R$ 130 milhões. O documento foi editado pelo próprio magistrado, segundo os metadados (registros digitais) do arquivo.
Dois dias depois, na quinta-feira (3), Moraes reagiu e pediu a Fachin que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido foi protocolado no inquérito das fake news, aberto em 2019.
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão plenária no STF | Antonio Augusto/STF
Moraes acusou o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas contra ele. O pedido do ministro foi baseado em um documento interno que a própria PF classifica como "sem valor probatório".
O relatório não é assinado por nenhum delegado, como é praxe em documentos de inteligência, e tinha Mendonça como um de seus objetos de investigação. O ministro então determinou os afastamentos de Andrei e Almada, por supostamente promoverem o monitoramento ilegal.
Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino, que é aliado de Moraes e foi indicado à Corte pelo governo Lula (PT), determinou a reintegração dos diretores da PF.
Em sua decisão, Fachin argumenta que a sequência de decisões monocráticas em processos diferentes, mas relacionados aos mesmos fatos e autoridades, criou um quadro de conflito e sobreposição processual, com risco de decisões contraditórias e de lesão à ordem pública e à integridade do STF.
O presidente também determinou que qualquer procedimento que envolva potencial investigação contra ministros do STF seja previamente encaminhado à Presidência da Corte. Segundo Fachin, a medida é necessária para preservar a competência do tribunal e evitar novas decisões conflitantes sobre questões envolvendo seus próprios integrantes.
Fachin suspende decisões cruzadas e convoca plenário do STFPresidente do STF também determinou que qualquer potencial investigação de ministros do STF seja enviada primeiro à Presidência do tribunalBrasil2026-09-09T20:15:50.702ZO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino que afastaram e depois reintegraram, respectivamente, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Fachin também marcou para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar o caso. O presidente do STF também determinou a interrupção do andamento da Petição 16.662, de relatoria de Mendonça, até nova deliberação. O processo trata de desdobramentos da Operação Compliance Zero, que tem o extinto Banco Master como alvo, e passou a reunir informações da Polícia Federal sobre as investigações. Foi no âmbito dessa petição relatada por Mendonça que eclodiu a crise mais recente que divide a Corte. Na terça-feira (1º), Mendonça decidiu levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Nelas, Vorcaro pede conselhos ao ministro e negocia com Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, um contrato de R$ 130 milhões. O documento foi editado pelo próprio magistrado, segundo os metadados (registros digitais) do arquivo. Dois dias depois, na quinta-feira (3), Moraes reagiu e pediu a Fachin que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido foi protocolado no inquérito das fake news, aberto em 2019. Moraes acusou o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas contra ele. O pedido do ministro foi baseado em um documento interno que a própria PF classifica como "sem valor probatório". O relatório não é assinado por nenhum delegado, como é praxe em documentos de inteligência, e tinha Mendonça como um de seus objetos de investigação. O ministro então determinou os afastamentos de Andrei e Almada, por supostamente promoverem o monitoramento ilegal. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino, que é aliado de Moraes e foi indicado à Corte pelo governo Lula (PT), determinou a reintegração dos diretores da PF. Em sua decisão, Fachin argumenta que a sequência de decisões monocráticas em processos diferentes, mas relacionados aos mesmos fatos e autoridades, criou um quadro de conflito e sobreposição processual, com risco de decisões contraditórias e de lesão à ordem pública e à integridade do STF. O presidente também determinou que qualquer procedimento que envolva potencial investigação contra ministros do STF seja previamente encaminhado à Presidência da Corte. Segundo Fachin, a medida é necessária para preservar a competência do tribunal e evitar novas decisões conflitantes sobre questões envolvendo seus próprios integrantes. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/fachin-revoga-decisoes-cruzadas-e-convoca-plenario-do-stf
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