Publicidade
Brasil

Esquema de combustível adulterado ligado a facção causa pane em carros e riscos à saúde de frentistas

Investigações apontam que mais de mil postos vendiam combustível adulterado com metanol acima do permitido

,
• Atualizado em
Publicidade

Segundo as investigações do Ministério Público, Polícia, Receita Federal e outros órgãos, mais de mil postos em diferentes estados do país participavam do esquema comandado pelo PCC. Os investigadores coletaram amostras com até 90% de metanol — solvente tóxico — misturado ao combustível. O máximo permitido por lei é de 0,5%.

Renato Miguel dono de um Volvo, ano 2015, foi uma das vítimas. Há dois meses o carro entra e sai da oficina “O problema que deu no meu carro é que eu sempre abastecia no mesmo posto de gasolina, um posto renomado, de bandeira, colocava gasolina da melhor, a mais cara, e acabou corroendo todos os meus bicos injetores, detonou as bobinas. O carro está há mais de dois meses na oficina sem previsão de sair. Já está passando de 4 mil reais de gasto”, relatou.

A megaoperação Carbono Oculto, realizada esta semana, rastreou o esquema da facção criminosa que envolvia compra de usinas, postos, caminhões e refinarias. As revelações abalaram a confiança do consumidor que precisa abastecer. É o caso do Felipe dos Santos, analista de TI. “Até antes disso a gente já ficava preocupado, porque já tinha muita notícia de combustível adulterado por aí. Eu procuro colocar sempre no mesmo posto que confio”.

Além dos prejuízos materiais, a adição de etanol e metanol traz riscos à saúde dos frentistas. A substância é tóxica, pode causar inflamações na pele e, em contato com os olhos, até cegueira.

Mas como reconhecer um posto desonesto?

Só de olhar a bomba não é possível identificar. Mas alguns hábitos e detalhes podem indicar se o estabelecimento merece o crédito do consumidor. A primeira dica é sair do carro, para sentir melhor o cheiro do líquido que sai da bomba e entra no tanque. Combustível com excesso de metanol tem cheiro de acetona, a mesma usada para retirar esmalte.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo, José Alberto Gouvea, recomenda que o motorista sempre calcule quantos quilômetros o carro roda com um litro de combustível. “O brasileiro tem que aprender a usar o carro dele fazendo a quilometragem, porque quando você põe um produto de baixa qualidade, o carro não rende."

Segundo o especialista, é sempre bom saber quem é o dono do posto. Pergunte ao funcionário se ele conhece o dono. Se não conhece, é um mau sinal. O dono do posto que se preza está sempre presente com seus clientes”, destacou.

Publicidade

Assuntos relacionados

Combustível
Crime
PCC
Publicidade

Últimas Notícias

Publicidade