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Enem: como voltar a estudar depois de anos longe da escola

Especialistas explicam como organizar a rotina, identificar as principais dificuldades e se preparar para a prova mesmo depois de muito tempo sem estudar

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Naiara Ribeiro
21/06/2026, 10:00 • Atualizado em 26/06/2026, 09:46
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Estudo | Reprodução Freepik

Estudo | Reprodução Freepik

Voltar a estudar depois de anos longe da sala de aula pode parecer um desafio, principalmente para quem precisa conciliar trabalho, filhos e outras responsabilidades. Ainda assim, especialistas afirmam que é possível chegar bem preparado ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com planejamento e uma rotina de estudos compatível com a realidade de cada candidato.

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Antes de montar um cronograma, porém, vale descobrir quais conteúdos precisam de mais atenção. Esse diagnóstico ajuda a organizar os estudos e definir prioridades para aproveitar melhor o tempo até o dia da prova.

Descubra por onde começar

Resolver provas de edições anteriores do Enem e fazer simulados é uma das formas mais eficientes de identificar quais disciplinas precisam de reforço e conhecer melhor o estilo da prova.

"Quem está há muitos anos sem estudar costuma ter uma percepção imprecisa sobre suas dificuldades. Os simulados ajudam a revelar quais disciplinas precisam de mais atenção, quais conteúdos foram esquecidos e até como está a capacidade de interpretação de textos e produção escrita", explica Alessandra Delegá, coordenadora do Ensino Médio do Colégio Progresso Bilíngue.

Segundo a educadora, esse diagnóstico também deve incluir a redação, responsável por uma parcela importante da nota final. "Muitos candidatos percebem que têm facilidade para determinados conteúdos, mas encontram dificuldades para organizar argumentos ou estruturar um texto dissertativo. Identificar isso logo no início permite direcionar melhor os estudos", afirma.

Monte uma rotina que caiba no seu dia

Depois de identificar os conteúdos que exigem mais dedicação, é hora de organizar uma rotina de estudos. Para quem voltou a estudar na fase adulta, isso significa encontrar espaço entre o trabalho, os compromissos familiares e outras responsabilidades do dia a dia.

"O segredo não é estudar o maior número possível de horas, mas construir uma rotina sustentável. É melhor manter constância ao longo dos meses do que tentar compensar o tempo perdido com jornadas exaustivas", afirma Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS).

Segundo o educador, criar uma rotina de estudos consistente é um dos pilares da preparação. A recomendação é estabelecer horários possíveis, distribuir as disciplinas ao longo da semana e alternar as áreas do conhecimento para tornar o aprendizado mais dinâmico e evitar o cansaço.

Outra dica é dedicar mais tempo às matérias em que há maior dificuldade. Identificar quais conteúdos e habilidades precisam ser reforçados ajuda a tornar os estudos mais eficientes e direcionados às reais necessidades do candidato.

Também vale combinar diferentes ferramentas de aprendizagem, como livros didáticos, videoaulas, aplicativos de exercícios, podcasts educativos e plataformas de questões. "Variar os recursos ajuda a tornar o estudo mais interessante. Além disso, estabelecer metas realistas aumenta a motivação e reduz as chances de abandono", diz Dias.

Acompanhe os temas da atualidade

Além de revisar o conteúdo das disciplinas, acompanhar o noticiário também faz parte da preparação. O Enem costuma abordar temas ligados à sociedade, ciência, tecnologia, meio ambiente, cultura e cidadania, tanto nas questões objetivas quanto na redação.

Mudanças climáticas, inteligência artificial, saúde pública, sustentabilidade, inclusão social, conflitos internacionais e transformações no mercado de trabalho estão entre os assuntos que podem ampliar o repertório do candidato.

"O Enem valoriza a capacidade de relacionar conhecimentos acadêmicos com situações reais. Quem acompanha os acontecimentos do Brasil e do mundo desenvolve uma visão mais crítica e amplia o repertório necessário para interpretar textos e construir argumentos", explica Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville.

Segundo ele, esse hábito também fortalece o repertório sociocultural, uma competência importante para a redação do Enem.

Descanso também faz parte da preparação

Estudar bastante não significa estudar o tempo todo. Para quem voltou aos livros na vida adulta, cuidar da saúde física e emocional também é parte da preparação.

Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, explica que a experiência de vida costuma ajudar o candidato a lidar melhor com desafios e frustrações. Ainda assim, isso não significa que ele esteja imune ao estresse. "A preparação deve ser planejada e encarada como uma maratona, não como uma corrida de velocidade", afirma.

Segundo o especialista, níveis elevados de estresse e a sobrecarga podem prejudicar a memória e a atenção. "Não se trata apenas de estudar mais, mas de criar condições emocionais para aprender melhor", ressalta.

Evidências científicas indicam que a prática regular de exercícios físicos pode reduzir sintomas de ansiedade e melhorar a concentração. Da mesma forma, o sono de qualidade contribui para a consolidação da memória, etapa essencial para a aprendizagem de longo prazo.

Além dos estudos, reservar momentos de lazer, cultivar hobbies e preservar a convivência social ajudam a manter o equilíbrio emocional e reduzem o risco de esgotamento durante a preparação. "O cérebro aprende melhor quando existe equilíbrio. Descanso, sono de qualidade e atividades prazerosas não são perda de tempo; fazem parte da estratégia para que o estudo seja mais produtivo e sustentável", conclui Rodrigues.

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