Brasil

COP30: ativistas ambientais protestam no calor de Belém

Povos indígenas e grupos ativistas se manifestaram contra os governos e as indústrias de combustíveis fósseis

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Reuters

Milhares de manifestantes climáticos marcharam pela cidade brasileira de Belém neste sábado (15) em uma demonstração barulhenta, diversa e pacífica para exigir mais ações para proteger o destino do planeta e expressar sua raiva contra os governos e as indústrias de combustíveis fósseis.

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A uma curta distância dali, os negociadores chegaram à metade da maratona da cúpula climática COP30, que busca transformar anos de promessas em ações para deter o aumento das temperaturas globais e oferecer apoio às pessoas mais afetadas por um planeta mais quente.

Nas ruas, povos indígenas, jovens ativistas e grupos da sociedade civil se reuniram sob temperaturas sufocantes, cantando, tocando instrumentos musicais e agitando faixas.

"Este é um lugar para marcharmos e elaborarmos um roteiro para o que precisa ser feito nesta COP: uma transição para longe do desmatamento e do uso de combustíveis fósseis", disse a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, dirigindo-se à multidão.

A manifestante indígena Cristiane Puyanawa juntou-se à marcha para pedir mais direitos à terra. "Nossa terra e nossa floresta não são mercadorias. Respeitem a natureza e os povos que vivem na floresta", disse.

A COP30 já foi palco de inúmeros protestos, incluindo uma tentativa de forçar a entrada de indígenas no local que resultou em confrontos com a segurança na terça-feira, e uma manifestação pacífica separada que bloqueou o local na manhã de sexta-feira.

No sábado, designado como um dia de protesto na cúpula de duas semanas da COP, havia uma enorme presença de seguranças ao redor do local, incluindo policiais militares com equipamento anti-motim, embora a rota da marcha não passasse diretamente por lá.

Negociações da COP30

Os negociadores que passaram a semana tentando chegar a um progresso estavam relatando o que haviam conseguido, antes de passarem seu trabalho para os ministros que tentarão superar quaisquer obstáculos políticos remanescentes.

"À medida que os negociadores se aproximam da segunda semana, eles precisam se lembrar de que a ação climática não diz respeito a números abstratos ou metas distantes. Diz respeito a pessoas", disse Katharine Hayhoe, cientista-chefe da organização ambiental sem fins lucrativos The Nature Conservancy.

"Cada escolha que fazemos hoje determina o futuro que compartilharemos amanhã", completou.

A extensa agenda da cúpula abrange uma grande variedade de questões com a intenção de aproveitar o progresso feito nos anos anteriores -- processo que, muitas vezes, é feito centímetro a centímetro e que, ao longo de três décadas, proporcionou algum progresso, mas não o suficiente, para reduzir o aquecimento global.

Mas o formato do que sairá da cúpula ainda não está claro, com algumas das questões mais controversas sendo discutidas fora do processo formal, como o aumento do financiamento climático, o abandono dos combustíveis fósseis e como lidar com um déficit coletivo nos planos de corte de emissões.

A presidência brasileira da COP30, que está conduzindo essas discussões paralelas, deve decidir se quer tentar um ato de equilíbrio de alto risco e chegar a um acordo político sobre essas questões que possa ser endossado por todos - conhecido na linguagem da COP como uma "decisão de capa".

"Há muito tempo venho dizendo que não estamos planejando uma decisão de capa, mas também disse que se houver um movimento dos países para propor uma decisão de capa, a presidência obviamente levará isso em consideração. Então, vamos ver como as coisas evoluem", disse o presidente da COP30, Andre Corrêa do Lago.

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