Brasil

Como surgiu a COP e por que ela é tão importante?

Conferência da ONU inaugurou um regime multilateral para responder às mudanças enfrentadas pela Terra, causadas sobretudo pela ação humana

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Sofia Pilagallo
14/11/2025, 21:19 • Atualizado em 14/11/2025, 21:19
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Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela "Caravana da Resposta", na Baía do Guajará, em Belém, em ato pela Amazônia e pela justiça climática, durante a COP 30 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - 12.11.2025

Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela "Caravana da Resposta", na Baía do Guajará, em Belém, em ato pela Amazônia e pela justiça climática, durante a COP 30 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - 12.11.2025

Em 1992, quando os efeitos das mudanças climáticas já preocupavam a comunidade internacional, surgia a Conferência das Partes (COP), o órgão supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

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A criação da conferência se deu durante a Rio-92, ou Cúpula da Terra, reuniu 108 chefes de Estado dos países-membro da ONU (Organização das Nações Unidas) para debater meios de conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação e proteção dos ecossistemas.

A Rio-92 foi a primeira conferência sobre a preservação do meio-ambiente que estabeleceu as bases para a cooperação internacional no combate às mudanças climáticas. Antes dela, houve, em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, que marcou o início de discussões internacionais sobre a degradação ambiental.

A partir da criação da COP, passou a vigorar um regime multilateral — isto é, uma força-tarefa entre vários países — para responder às mudanças enfrentadas pela Terra, causadas sobretudo pela ação humana. Em 1992, o termo mais adequado para se referir a essas mudanças era "aquecimento global", que é o aumento de longo prazo das temperaturas médias do planeta, mas hoje entende-se que este é apenas um aspecto do problema.

As mudanças climáticas abrangem um conjunto mais amplo de alterações, como aumento do nível do mar, derretimento de geleiras e mudanças nos padrões de chuva e vento. Essas mudanças vêm se intensificando a cada ano e atingindo níveis sem precedentes, causando eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Conferências anuais

O que é conhecido como "COP" são as conferências anuais, que normalmente ocorrem em novembro ou dezembro, em que os países se reúnem para tratar das ações voltadas para o combate às mudanças climáticas. A primeira edição da cúpula ocorreu em 1995, em Berlim, na Alemanha.

A cada ano, um país diferente fica responsável por sediar a COP — este ano, foi a vez do Brasil. A conferência é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a UNFCCC. Atualmente, 198 países participam da Convenção, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema da ONU.

Ao longo de suas edições, a COP adota diversos protocolos e acordos para o combate às mudanças climáticas. Entre os principais deles estão o Acordo de Kyoto, que vigorou de 2008 a 2012, e o Acordo de Paris, firmado em 2015 e em vigor desde 2016.

O Acordo de Kyoto estabeleceu, entre outras metas, a redução de 5,2%, na emissão de poluentes, em relação a 1990, principalmente por parte dos países industrializados. O tratado não cumpriu plenamente seus objetivos, principalmente pela não ratificação do acordo pelos Estados Unidos, um dos maiores emissores mundiais.

Já o Acordo de Paris definiu, entre outras metas, limitar, até 2030, o aquecimento global a um nível bem abaixo de 2ºC, preferencialmente a 1,5ºC, em relação aos níveis pré-industriais. Cada país determinou seus próprios compromissos para contribuir com os objetivos estabelecidos.

O Brasil, por exemplo, se comprometeu a reduzir as emissões em 43% em relação a 2005, zerar o desmatamento ilegal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Apesar de terem havido avanços, com uma transição energética mais limpa e a redução do desmatamento, as metas não estão sendo cumpridas integralmente.

Último relatório do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, divulgado em 3 de novembro, mostra que o Brasil emitiu 2,14 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GtCO2e) em 2024. Os dados mostram queda de 16,7% em relação a 2023 e a maior redução em 16 anos, mas são insuficientes para cumprir a meta climática estabelecida para 2025.

*Com informações do site da COP, do governo brasileiro e da agência de notícias Reuters.

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