Chuvas no Rio Grande do Sul: por que estado é tão exposto a tragédias climáticas? Hidrólogo explica
Professor da UnB pede que sociedade, setores produtivos e governos deem mais atenção aos alertas dados pela ciência e pela engenharia
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Felipe Moraes
06/05/2024, 11:51 • Atualizado em 06/05/2024, 12:47
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Chuvas no Rio Grande do Sul (Secom-RS/PMPA)
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As fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul, deixando dezenas de mortos e desaparecidos e milhares de desabrigados, representam a quarta tragédia climática no estado em menos de um ano. Por que o RS parece tão exposto a esse tipo de catástrofe? O hidrólogo Henrique Leite Chaves, professor na Universidade de Brasília (UnB), explica no Brasil Agora desta segunda-feira (6).
"É a soma de uma tempestade perfeita", analisa o especialista. "A questão meteorológica do El Niño, com frente estacionária bloqueada em cima dessa bacia hidrográfica [do Guaíba], chovendo dias seguidos, uma topografia que favorece a subida dos rios, de saírem de suas calhas e atingirem planícies de cidades e infraestruturas, e também o próprio solo se saturando, colocando mais e mais água na calha dos rios", detalha o professor.
Leite Chaves aponta que, primeiro, as autoridades devem prestar socorro à população ilhada e afetada pelos temporais. Mas ações preventivas já podem começar. "Ao mesmo tempo, o morador que está voltando para casa, à vida normal, deve registrar as marcas de água. Essa marca indica uma cheia que provavelmente vai ocorrer de novo no próximo ano ou nos próximos vinte, não sabemos", explica.
"Se tenho hospitais, escolas, utilidades públicas, vou saber que aquelas marcas têm que ser registradas. A partir delas, sei que ocorrerá novamente. E planejar que, daquela marca para baixo, é zona inundável", continua.
Leite Chaves também aponta que é preciso identificar o que ocorreu para que sejam realizadas medidas de prevenção, previsão e planejamento, o que inclui até alteração de traçados urbanos.
"A gente sabe que Porto Alegre tem diques que não venceram essa cheia do Guaíba. Esse replanejamento urbano por parte dos governos tem que ocorrer de tal sorte que esses custos para cobrir prejuízos possam ser canalizados para outras ações, não emergenciais, de desenvolvimento da infraestrutura do país", explica.
O professor também diz que o esforço coletivo é "de prevenção, mitigação e adaptação a uma realidade que mudou" e pede mais atenção de todos aos alertas dados pela ciência.
"A população, os governos, a sociedade civil, o setor produtivo têm que entender que, além das mortes, irrecuperáveis, os prejuízos muitas vezes também são. Será que estamos dando a devida atenção às questões colocadas pela ciência, pela engenharia? No sentido de alertar, chamar atenção dos tomadores de decisão e a população para se preparar para uma nova realidade", comenta.
Assista ao Brasil Agora desta segunda (6):
Chuvas no Rio Grande do Sul: por que estado é tão exposto a tragédias climáticas? Hidrólogo explicaProfessor da UnB pede que sociedade, setores produtivos e governos deem mais atenção aos alertas dados pela ciência e pela engenhariaBrasil2024-05-06T11:51:07.419Z As , deixando dezenas de mortos e desaparecidos e milhares de desabrigados, representam a quarta tragédia climática no estado em menos de um ano. Por que o RS parece tão exposto a esse tipo de catástrofe? O hidrólogo Henrique Leite Chaves, professor na Universidade de Brasília (UnB), explica no . "É a soma de uma tempestade perfeita", analisa o especialista. "A questão meteorológica do El Niño, com frente estacionária bloqueada em cima dessa bacia hidrográfica [do Guaíba], chovendo dias seguidos, uma topografia que favorece a subida dos rios, de saírem de suas calhas e atingirem planícies de cidades e infraestruturas, e também o próprio solo se saturando, colocando mais e mais água na calha dos rios", detalha o professor. Leite Chaves aponta que, primeiro, as autoridades devem prestar socorro à população ilhada e afetada pelos temporais. Mas ações preventivas já podem começar. "Ao mesmo tempo, o morador que está voltando para casa, à vida normal, deve registrar as marcas de água. Essa marca indica uma cheia que provavelmente vai ocorrer de novo no próximo ano ou nos próximos vinte, não sabemos", explica. "Se tenho hospitais, escolas, utilidades públicas, vou saber que aquelas marcas têm que ser registradas. A partir delas, sei que ocorrerá novamente. E planejar que, daquela marca para baixo, é zona inundável", continua. Leite Chaves também aponta que é preciso identificar o que ocorreu para que sejam realizadas medidas de prevenção, previsão e planejamento, o que inclui até alteração de traçados urbanos. "A gente sabe que Porto Alegre tem diques que não venceram essa cheia do Guaíba. Esse replanejamento urbano por parte dos governos tem que ocorrer de tal sorte que esses custos para cobrir prejuízos possam ser canalizados para outras ações, não emergenciais, de desenvolvimento da infraestrutura do país", explica. O professor também diz que o esforço coletivo é "de prevenção, mitigação e adaptação a uma realidade que mudou" e pede mais atenção de todos aos alertas dados pela ciência. "A população, os governos, a sociedade civil, o setor produtivo têm que entender que, além das mortes, irrecuperáveis, os prejuízos muitas vezes também são. Será que estamos dando a devida atenção às questões colocadas pela ciência, pela engenharia? No sentido de alertar, chamar atenção dos tomadores de decisão e a população para se preparar para uma nova realidade", comenta. Assista ao Brasil Agora desta segunda (6): São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/chuvas-no-rio-grande-do-sul-por-que-estado-e-tao-exposto-a-tragedias-climaticas-hidrologo-explica
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